Clique e assine a partir de 8,90/mês
Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Weintraub: ‘Essa porcaria que é Brasília. Isso daqui é um cancro’

'São pessoas aqui em Brasília, dos três poderes, que não sabem o que é povo', diz Bolsonaro

Por Robson Bonin, Mariana Muniz, Evandro Éboli e Manoel Schlindwein - Atualizado em 23 Maio 2020, 13h21 - Publicado em 22 Maio 2020, 17h44

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, é aliado de Jair Bolsonaro, vive no Palácio do Planalto, mas terá agora uma escolha a fazer. Veja o que diz o ministro da Educação, Abraham Weintraub, diante dos aplausos de Bolsonaro, sobre a unidade da federação governada por Rocha.

“Eu não quero ser escravo nesse país. E acabar com essa porcaria que é Brasília. Isso daqui é um cancro de corrupção, de privilégio. Eu tinha uma visão extremamente negativa de Brasília. Brasília é muito pior do que eu podia imaginar. As pessoas aqui perdem a percepção, a empatia, a relação com o povo. Se sentem inexpugnáveis”, diz Weintraub.

Diante das barbaridades ditas pelo auxiliar, Bolsonaro se anima e pede então para falar. “Deixa eu complementar aqui o que o Weintraub tá falando. Eu tô com 65 anos. A gente vai se aproximando de quem não deve. Eu já tenho que me policiar no tocante a isso daí. São pessoas aqui em Brasília, dos três poderes, que não sabem o que é povo”, diz o presidente.

“Eu converso com alguns, não sabe o que é o feijão com arroz, não sabe o que é um supermercado. Esqueceu. Acha que o dinheiro cai do céu. ‘Eu tô com os meus privilégios garantidos, meus 100.000 reais por mês’, em média, que essa galera ganha, né? Legalmente. E acha que isso não vai acabar nunca”, segue Bolsonaro.

O presidente pode, com sua alardeada caneta, construir um plano de governo para reduzir privilégios dos marajás do serviço público. Foi isso que prometeu nas eleições. Bolsonaro, no entanto, é o principal protetor dos “privilégios garantidos” das categorias que o elegeram.

Ele, pessoalmente, depois de falar tudo que falou, boicotou o trabalho de Paulo Guedes para congelar salários do funcionalismo por dois anos em troca do socorro federal aos estados. Bolsonaro sempre fez parte da bancada dos privilégios no Congresso. Mas esquece de tudo isso e avança ao tema preferido, a ditadura:

“Eu tô vendo o mais antigo aqui, o general Heleno aqui. Ele sabe o que é meia, o que foi 64. Muitos aqui não sabem. Essa cambada que tentou chegar no poder em 64, se tivesse chegado, a gente tava fodido todo mundo aqui”.

Continua após a publicidade
Publicidade