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‘Vitória no STJ’ custou R$ 94 mi do Sistema S, diz delator da Lava-Jato

Dinheiro teria sido desviado para comprar influência e articular decisão liminar que devolveu o comando da entidade a Orlando Diniz

Por Robson Bonin - Atualizado em 9 set 2020, 10h10 - Publicado em 9 set 2020, 09h51

Em um trecho da longa denúncia de 512 páginas da Lava-Jato contra escritórios de advocacia, os investigadores mostram que apenas o lobby jurídico envolvido na concessão de uma liminar, no STJ, de interesse de Orlando Diniz custou 94 milhões de reais em repasses a escritórios de advocacia. Dinheiro esse administrado por Eduardo Martins, filho do presidente do STJ, Humberto Martins, e Adriana Ancelmo, a ex-primeira-dama do Rio, que também articulava o lobby no Judiciário.

“Esses valores serão declinados ao longo da acusação, mas fato é que, somente pelo que chamou o colaborador de “vitória no STJ”, que vem a ser a liminar que o restituiu à presidência do SESC Rio em 24.11.2015 no Agravo em Recurso Especial – AREsp 557.089/RJ, do STJ, foram posteriormente pagos mais de R$ 94.000.000,00 (noventa e quatro milhões de reais) a escritórios de EDUARDO MARTINS e indicados pelo mesmo, bem como a escritório indicado por ADRIANA ANCELMO, sem que nenhum deles tenha realizado qualquer ato no escopo dos contratos e que minimamente justificasse os pagamentos”, diz a Lava-Jato.

Orlando Diniz lamenta, na delação, que tenha sido enganado pelos escritórios de advocacia que prometiam resultados, ficavam com todo o dinheiro, mas não entregavam resultados. “QUE, desde 2014 até a prisão do colaborador, os pagamentos de honorários advocatícios foram um mecanismo para drenar valores do SESC e SENAC; QUE, depois que os valores foram drenados em sua maior parte, os escritórios sumiram; QUE o colaborador, então, dominado pelo mesmo grupo político, tentou escapar, mas não conseguiu”, diz Orlando Diniz na delação.

“Um dado óbvio dos fatos que se abateram sobre as entidades sociais autônomas, que, é sabido, são relevantíssimas para o setor terciário e a economia brasileira, é que os membros do “núcleo duro” da Orcrim, ao mesmo tempo em que convenciam ORLANDO DINIZ de que os pagamentos teriam que ser feitos sem questionamentos sobre a qualidade do contratado ou vultosidade dos valores, porque só assim o mesmo não perderia (ou voltaria para) a gestão do SESC e do SENAC Rio (tráfico de influência e exploração de prestígio), também passavam ao mesmo um quadro de tamanha dificuldade perante as Cortes que a sua solução teria que ser cada vez mais cara, inclusive para a mantença de decisões favoráveis”, diz a Lava-Jato.

Veja como a Lava-Jato identifica os desvios no esquema:

Divulgação/Divulgação
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