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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Vereadores buscam acordo para aprovar PL da ‘abstinência sexual’ em SP

Oposição diz estar disposta a não barrar proposta caso nome 'Escolhi Esperar' seja alterado

Por Laísa Dall'Agnol Atualizado em 17 jun 2021, 08h08 - Publicado em 17 jun 2021, 11h30

O projeto ‘Escolhi Esperar’, do vereador Rinaldo Digilio (PSL), deverá ser votado nesta quinta na Câmara Municipal de São Paulo em meio a protestos.

Vereadores da oposição, no entanto, tentam negociar a troca do nome da iniciativa em troca de não barrar a tramitação.

Caso seja aprovado nesta quinta, o texto segue para sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A ideia seria alterar ‘Escolhi Esperar’ para ‘Escolhi Informar’, ou outra denominação mais neutra.

“Iniciou-se um diálogo com o presidente [Milton Leite] e com o vereador Digilio para mudança do nome e estamos tendo alguns retorno de que irá mudar. Não sabemos se para o nosso ou se ele irá apresentar outro”, diz a vereadora Juliana Cardoso (PT).

As principais críticas se voltam justamente ao título da proposta que, apesar de não ter em seu escopo nenhuma menção à abstinência sexual, faz uma alusão à prática.

Isso porque ‘Escolhi Esperar’ é o nome de um movimento cristão que prega a iniciação sexual apenas após o casamento.

No texto do PL que será analisado em segundo turno pelos vereadores, são mencionadas palestras e divulgação de materiais e informações educativas que esclareçam sobre como prevenir a gravidez precoce.

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Também é citado o apoio da ONU sobre a necessidade de “informações sobre a vida sexual, doenças sexualmente transmissíveis e métodos contraceptivos”.

A vereadora Juliana Cardoso diz que o teor do projeto, que já teve votos do partido em primeiro turno, é positivo, mas que o título pode abrir caminho para práticas que representam um “retrocesso para os direitos das mulheres”.

O vereador Rinaldo Digilio diz que não teria problemas em mudar apenas o nome do programa, mas diz que a oposição quer incluir outros pontos, como o aborto humanizado.

“O PT e o PSOL votaram favorável ao mesmo projeto que hoje, eles são contrários. Se fosse só mudar o nome, eu propus mais de 50 vezes em audiências públicas, mas eles querem transformar um programa de conscientização contra a gravidez precoce e colocar ideologia de gênero, aborto, erotização das crianças”, diz o vereador.

A polêmica ao redor da proposta, porém, não parou por aí.

O texto original previa incluir no calendário da cidade de São Paulo a ‘Semana Escolhi Esperar’, que ocorreria em março.

O texto final, no entanto, prevê que seja instituído um ‘Programa Escolhi Esperar’, o que, segundo vereadores da oposição, daria ao projeto caráter de continuidade.

“A única mudança foi a retirada da data, a segunda semana de março, por sugestão da Prefeitura. E quando se deixa de ter uma data, a semana ou dia vira um programa, é algo formal”, diz Digilio.

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