Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Traído por Bolsonaro em votação, Guedes mira líder da Câmara

Vitor Hugo atuou para desfigurar plano de congelamento de salários da Economia; disse que fez em nome do presidente, mas...

Por Robson Bonin Atualizado em 11 Maio 2020, 07h45 - Publicado em 11 Maio 2020, 07h26

O líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara atende pelo nome de Vitor Hugo. Pode-se questionar sua capacidade de liderança no cargo nesses meses todos no cargo, mas sua fidelidade a Bolsonaro – e sintonia com o capitão – estão dadas.

Foi ele quem apunhalou Paulo Guedes na semana passada, quando a Câmara aprovou, por 298 a 25, o texto que propôs a retirada do projeto de socorro a Estados e municípios da parte que assegurava que apenas profissionais ligados ao combate ao coronavírus não teriam seus salários congelados por 18 meses, como contrapartida para que os governos estaduais recebessem a ajuda federal.

ASSINE VEJA

Quarentena em descompasso Falta de consenso entre as autoridades e comportamento de risco da população transforma o isolamento numa bagunça. Leia nesta edição
Clique e Assine

Guedes trabalhou pesado para manter sua agenda de congelamento rigoroso de salários viva. A traição do líder do governo ao poderoso ministro da Economia seria coisa séria, não fosse ela, como o próprio Vitor Hugo correu para justificar, uma ordem direta de Bolsonaro. “Liguei para o presidente e me certifiquei de que essa era a melhor solução. O presidente falou para eu fazer”, disse o líder ao Valor.

A alma sindical de Bolsonaro vive em conflito com as medidas restritivas de Guedes. Bolsonaro elegeu-se prometendo acabar com a mamata, mas ela nunca teve tantos e tão poderosos defensores no governo.

Nesta semana, como mostra o Radar, o Planalto, enquanto corria a traição palaciana contra Guedes, já pensava em nomes para substituir o Posto Ipiranga. O primeiro da lista é o chefe do Banco Central, Roberto Campos Neto. Quem conhece a relação de Guedes e Campos Neto, no entanto, assegurou ao Radar: se Guedes sai, sai todo mundo.

Foi por esse recado coletivo, dado por Guedes, mas sustentado por outros interlocutores da Economia, que Bolsonaro correu para tentar reparar sua traição. Avisou que vetará o que mandou seus novos amigos e sócios do centrão aprovarem.

Guedes, no entanto, não costuma esquecer de movimentos como o de Vitor Hugo. No Planalto, auxiliares de Bolsonaro dizem que o líder do governo pode ser lançado ao mar por Bolsonaro, se Guedes assim o desejar. A versão de Vitor Hugo agiu em causa própria, para defender sua base eleitoral, ao boicotar congelamento, vem ganhando força. É a senha para ele rodar.

Continua após a publicidade
Publicidade