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Teste de Covid-19 abre guerra entre entidades e rede de drogarias

Exames de alta complexidade deveriam ser feitos apenas em ambiente laboratorial, afirmam entidades médicas

Por Manoel Schlindwein Atualizado em 25 mar 2021, 09h21 - Publicado em 24 mar 2021, 18h32

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) denunciaram o Grupo Drogarias DPSP pela realização de exames para Covid-19 categorizados como Classe III, o que, segundo as entidades, descumpriria as normas sanitárias em vigor.

Conforme a denúncia, os exames ofereceriam riscos ao indivíduo e à saúde pública e, portanto, só poderiam ser realizados dentro dos ambientes controlados dos laboratórios. A denúncia foi feita à Anvisa nesta segunda-feira e encaminhada também às vigilâncias regionais dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde há presença dos estabelecimentos do grupo, composto por 164 lojas das redes Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco.

O exame que motivou a denúncia é usado para detectar o nível de resposta imunológica produzida pelo organismo após a vacinação contra o novo coronavírus. Ele usa o produto ECO F Covid nAb que fugiria ao padrão dos chamados “testes rápidos”, autorizados pela Anvisa por meio da RDC nº 377/2020.

“A realização, fora do ambiente laboratorial, de exames de alta complexidade coloca em risco a melhor gestão da saúde”, explica Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed. “A coleta de amostras sanguíneas, quando realizada por pessoas leigas, coloca em risco o paciente. Além disso, o processamento dessas amostras em locais sem a infraestrutura adequada e sem o suporte de um corpo técnico especializado, pode gerar uma grande leva de resultados errados”, completa Shcolnik.

ATUALIZAÇÃO, 19h23: A coluna recebeu a seguinte nota: “A ECO Diagnóstica, principal fornecedor dos testes rápidos de COVID-19 e associada a CBDL (Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial), após o conhecimento do ofício Realização de exames de alto risco em farmácias do dia 22/03/2021, gostaria de esclarecer algumas informações: O teste informado pelo grupo DPSP na reportagem em questão NÃO SE TRATA do ECO F COVID nAb (neutralizantes). Essa informação apresentada no ofício está equivocada.

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Entendemos o importante papel das farmácias no combate à pandemia com uma grande utilização dos testes rápidos de COVID-19, aumentando o acesso dos pacientes aos testes com resultados imediatos.

Ressaltamos também que os serviços de testagem realizados nas principais redes de farmácias do Brasil seguem protocolos de qualidade específicos da RDC nº 377/2020.

Esclarecemos que o teste utilizado pelo grupo DPSP, e outras redes, é o COVID-19 Ab Plus ECO Teste, registrado sob o número 80954880160 e que atende aos requisitos da RDC nº 377/2020.

Conforme Instrução de Uso disponibilizada para consulta pública no site da ANVISA, o COVID19 Ab Plus ECO Teste é um teste rápido imunocromatográfico para a detecção qualitativa de anticorpos IgG e IgM anti-SARS-CoV-2 específicos para proteína N e proteína S1 (RBD), presentes em amostras humanas de soro, plasma ou sangue total.

O COVID -19 Ab Plus ECO Teste tem como objetivo avaliar a soroconversão pós vacinal ou pós infecção natural, detectando os anticorpos contra as proteínas N e Spike (S).

Durante toda a pandemia, a ECO Diagnóstica foi a empresa brasileira de IVD que mais realizou validações nacionais e internacionais dos testes de COVID-19, incluindo os testes de anticorpos e antígenos. As avaliações dos testes foram realizadas em entidades renomadas, como Fiocruz e USP, incluindo o COVID-19 Ab Plus ECO Teste, os dados estão disponíveis para envio”.

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