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Substituta de Luana Araújo apoiou Mandetta e Moro após demissões

Nomeada nesta quinta, a médica Rosana Leite de Melo já foi às ruas contra Dilma e assinou abaixo-assinado contra destruição da Capes sob Bolsonaro

Por Gustavo Maia Atualizado em 17 jun 2021, 16h30 - Publicado em 17 jun 2021, 16h08

À deriva desde que foi criada há 38 dias, a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde finalmente ganhou uma comandante nesta quinta-feira, com a nomeação da médica Rosana Leite de Melo. A pasta é aquela que quase foi chefiada pela infectologista Luana Araújo — ela perdeu o posto antes de mesmo de assumi-lo oficialmente por conta das suas opiniões contra a cloroquina e outros remédios milagrosos, descobertas pelos bolsonaristas nas redes sociais.

Pois a nova secretária também pode enfrentar problemas com apoiadores mais radicais do presidente Jair Bolsonaro por posicionamentos na internet. No perfil de Rosana no Facebook, há manifestações em apoio aos ex-ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da Justiça, Sergio Moro, na época das suas ruidosas demissões, em abril do ano passado.

Conterrânea de Mandetta, do Mato Grosso do Sul, a médica compartilhou algumas postagens favoráveis ao então ministro — e hoje desafeto declarado de Bolsonaro — desde a sua posse, no começo de 2019. Durante a fritura do titular da Saúde, publicou uma imagem dele com a frase “Um médico não abandona seu paciente” e a hashtag #FicaMandetta.

Postagem da médica Rosana Leite, em 5 de abril de 2020, sobre o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta
Reprodução/Facebook

Sacramentada a demissão, compartilhou a derradeira entrevista coletiva de Mandetta no cargo e um vídeo feito por funcionários do ministério em homenagem ao chefe.

Dias depois, foi a vez de Rosana prestigiar Moro, que pediu para sair do governo por conta da tentativa de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal. “Sérgio Moro é realmente um gigante!!! Queria mais Moros neste país”, escreveu a médica no dia da demissão. Nos comentários, um de seus amigos comentou que o presidente estava acabando com o governo dele “pra proteger seus pimpolhos”.

Postagem da médica Rosana Leite de Melo após a demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça
Reprodução/Facebook

No começo desse ano, ela compartilhou um artigo escrito pela micobiologista Natalia Parternak, que passou pela CPI da Pandemia na semana passada e fez duras críticas à condução do enfrentamento pandemia pelo governo Bolsonaro. O texto, publicado na revista Crusoé, exalta as vacinas contra a Covid-19 — tão desprestigiadas pelo presidente.

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Já no último dia 19 de abril, Rosana publicou na sua página na rede social um abaixo-assinado pelo resgaste da Capes, para que o Congresso e o Ministério Público “tomem medidas contra a destruição da estrutura de fomento à pós-graduação e à pesquisa científica no Brasil”. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, havia anunciado o nome da nova presidente do órgão dias antes.

O documento cita o crescimento orçamentário da Capes entre 2010 e 2015 — quando o Brasil era governado por Lula e Dilma Rousseff — e os cortes “bruscos” no orçamento do órgão desde 2016, ano em que Temer assumiu. E destaca a redução, no governo Bolsonaro, de 2019 para 2020, de 4,2 bilhões de reais para 2,8 bilhões.

Em março de 2015, Rosana divulgou uma foto em que participava de um protesto contra Dilma.

A médica Rosana Leite de Melo, nova secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, participou de protesto contra Dilma em março de 2015
Reprodução/Facebook

Ao anunciar a nomeação da médica para a secretária, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou que ela é professora da UFMS e possui experiência em gestão pública, tendo presidido o Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso do Sul e reestruturado a residência médica no Brasil, no período em que atuou no Ministério da Educação.

Por sinal, a própria Rosana contou em uma transmissão ao vivo no YouTube que deixou a pasta e voltou ao seu Estado por “divergências políticas” com o então ministro Abraham Weintraub, em 2019.

“Drª Rosana tem um perfil técnico e sabe dialogar com os profissionais de saúde. Além disso, liderou o enfrentamento à Covid-19 no Mato Grosso do Sul. Estou certo que fortalecerá o corpo de secretários do Ministério da Saúde”, declarou Queiroga.
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Na quarta-feira, diante de notícias de que Rosana seria escolhida para o cargo, o editor de um site de notícias bolsonarista deu um recado, curtido por milhares de seguidores no Twitter: “compartilha artigo de Natalia Pasternak contra o tratamento precoce. E enaltece Moro e Mandetta à epoca da saída deles do Governo. Por quanto tempo Queiroga estará livre para trair o Pres. Bolsonaro?”.

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