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Retratação de Bolsonaro desagrada Maria do Rosário, que vai recorrer

Pedido de desculpas de presidente foi considerado insuficiente pela defesa; "o réu tentou justificar o injustificável"

Por Evandro Éboli - 18 jun 2019, 17h05

O texto de retratação de Jair Bolsonaro por ter ofendido a deputada Maria do Rosário, publicado no seu twitter por decisão judicial, não agradou a parlamentar. Em 2014, ele disse que a parlamentar não merecia ser estuprada, por ser  “muito feia”.

A retratação do presidente tem 26 linhas e três parágrafos. No primeiro, ele  pede desculpas por suas “falas passadas dirigidas” a ele e diz que se tratou de um “embate ideológico” e a acusou de chamá-lo de estuprador em 2003.

Nos outros dois parágrafos, Bolsonaro fala bem de si o tempo inteiro. Diz que apoia irrestritamente as mulheres e que a briga com a deputada se deu porque defendeu pena dura para um menor acusado de estupro e de assassinato do marido. Lembrou que é autor de projeto de castração química para quem estupra. Disse também que na sua posse o protagonismo foi feminino.

Para a defesa de Rosário, Bolsonaro usou sua retratação para insistir no debate e tentou justificar o injustificável. E que ele desviou o assunto ao falar de um episódio de quinze anos atrás e que nega ter ocorrido.

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“Não é razoável que, no momento de dar efetivo  cumprimento à decisão transitada em julgado, com reparação à pessoa ofendida, o réu se valha dessa oportunidade para renovar os debates sobre os fatos já superados ao longo do processo e  subverter aquilo que foi reconhecido pela Justiça. Tampouco é  razoável que o réu aproveite essa oportunidade para tentar, uma última vez, justificar sua injustificável e inaceitável conduta” – diz a defesa da deputada, que irá levar o assunto à juíza Tatiana Medina, da Vara Cível de Brasília.

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