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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Demitido por assinar contrato suspeito de TI agora atua com Damares

As despesas de TI continuam uma caixa-preta no governo; com essa turma Jair Bolsonaro ainda não revelou desejo de mexer

Por Robson Bonin Atualizado em 8 fev 2020, 10h58 - Publicado em 8 fev 2020, 10h44

Responsável por um contrato de TI do Ministério da Cidadania de 6,9 milhões de reais com uma empresa de fachada que está sendo investigada pela Polícia Federal, o ex-subsecretário de Assuntos Administrativos da pasta Paulo Roberto de Mendonça e Paula foi demitido no ano passado por Osmar Terra quando o cheiro de queimado no setor de pagamentos começou a subir e chegar aos órgãos de controle.

Como descobriu o repórter Patrik Camporez, a Business To Technology B2T deu ao governo um endereço frio ao fechar o contrato milionário. Antes de pagar milhões dos cofres públicos pelos serviços, ninguém achou prudente conferir os dados e antecedentes da turma.

Logo num setor tão marcado por assaltos desse tipo. Afinal, o golpe da empresa de TI de fachada que “vende” — mas não entrega — soluções de segurança e licenças de software, além de treinamento de servidores, é mais velho na máquina pública que o falso sequestro de parentes inventado pelos presidiários. O setor movimentou cerca de 5 bilhões de reais por nos últimos governos. É outra Lava-Jato!

No caso em questão, desde 2017 uma orientação da CGU alertava os órgãos para que não fechassem negócios com a empresa que Paulo contratou. Na última quinta, a PF bateu à porta dos donos da B2T e da antiga cúpula do Ministério do Trabalho de Michel Temer, que também pagou milhões aos fantasmas.

Como a incompetência — para dizer o mínimo — é praga difícil de matar, a turma que autorizou a pasta de Osmar Terra a pagar milhões à empresa de fachada, investigada por desvios que chegam a 50 milhões de reais, já se arrumou no governo Bolsonaro. Paulo, o contratante, foi empregado por Damares Alves na pasta da Mulher, semanas depois de ser demitido por Terra.

O que ele faz no ministério? É subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração da Secretaria-Executiva. Foi levado para lá pela número dois de Damares, a secretária-executiva Tatiana Barbosa.

Uma força-tarefa da PF e do TCU investiga há tempos esses negócios de TI do governo, mas essa caixa-preta bilionária Jair Bolsonaro ainda não revelou interesse em abrir.

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