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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Ex-presidentes da Palmares repudiam nomeado que nega existir racismo

Ex-dirigentes do órgão fazem manifesto crítico à indicação de Sérgio Camargo e suas opiniões como a defesa do fim do movimento negro

Por Evandro Éboli - Atualizado em 28 nov 2019, 07h30 - Publicado em 28 nov 2019, 06h30

Desde que fui criada, em 1988, a Fundação Cultural Palmares teve nove presidentes. Três já faleceram. Cinco deles assinam manifesto de repúdio às falas do novo ocupante do cargo, o jornalista Sérgio Nascimento de Camargo.

Se trata de um militante de direita que nega o racismo, que defende o fim do movimento negro e que já declarou que a escravidão foi benéfica para os afrodescendentes, como mostrou O Globo.

O manifesto será divulgado nesta quinta. Um dos organizadores dessa manifestação, Zulu Araújo, que presidiu a fundação entre 2007 e 2010, no governo Lula, está indignado com os pensamentos de Camargo.

“Nosso manifesto é uma mobilização contra as opiniões do novo presidente. O movimento negro é um símbolo de conquistas, de uma luta que gerou a Fundação Palmares, nascida no ano do centenário da abolição da escravatura, em 1988. Foi um reconhecimento por parte do Estado da importância da comunidade negra, que seus valores e manifestações culturais sejam respeitados. Foram 300 anos de escravidão e temos ainda sequelas graves. O combate ao racismo está assegurado em decisão da ONU, de sua conferência de 2001”, disse Zulu Araújo ao Radar.

E criticou as declarações de Sérgio Camargo.

“A declaração de negar o racismo no Brasil, negar a descriminação, negar as conquistas alcançadas ela comunidade negra vai de encontro aos princípios civilizatórios. Contraria os princípios elementares dos direitos humanos. Não é uma mobilização contra a nomeação. Não cabe a nós indicar, mas ao presidente Bolsonaro, que indica quem quiser. Mas temos que brigar para que as conquistas alcançadas sejam consolidadas.

Além de Zulu Araújo, irão assinar o manifesto Carlos Moura, Dulce Maria Pereira, Elói Ferreira e Hilton Cobra. Todos ex-presidentes desde 1988. Os três que já faleceram são Ubiratan Araújo, Adão Ventura e Joel Rufino.

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