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Radar Por Gabriel Mascarenhas (interino) Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Presidente de comissão minimiza ditadura e irmã de vítima reage, indignada

Representante de familiares na Comissão de Mortos e Desaparecidos rebateu declaração de Marco Carvalho

Por Evandro Éboli Atualizado em 26 jun 2020, 20h23 - Publicado em 26 jun 2020, 13h20

Não terminou bem a  reunião da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos na última terça. O órgão é vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos.

Avesso a reconhecer as violações da ditadura, o presidente do colegiado, Marco Vinicius Carvalho, num parecer sobre um caso, afirmou que os que “se julgam” atingidos pelo do regime eram cooptados por ditadores de esquerda.

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“Para além do olhar humanitário e sensível (pelos conselheiros) às dores das pessoas que se julgam atingidas por atos praticados pelo Estado durante um período em que, de um lado as Forças Armadas, conclamadas pela população para defenderem o Brasil de um possível domínio de ditadores ligados à esquerda mundial e, por outro lado os cidadãos cooptados por esta mesma esquerda a implantarem seu regime, não se pode falar em vencedores e vencidos”,

Diva Santana, que representa os familiares das vítimas na comissão, reagiu à fala de Carvalho. Diva é irmã Dinaelza Santana, executada pelos militares durante a Guerrilha do Araguaia.

“Presidente, não ‘me julgo’ atingida não. Eu e minha família ‘fomos’ atingidos. Minha irmã foi executada de joelhos e nem sei onde seu corpo está até hoje. Minha irmã não foi cooptada, tinha ideias próprias. Vocês acham que são poder. Vocês estão no poder. Até que dia, ninguém sabe. Desrespeitou a mim e a todas as famílias”, reagiu Diva.

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A conselheira ainda questionou quais provas o presidente quer nos processos.

“As Forças Armadas não disseram o que fizeram e como fizeram com os desaparecidos”.

Carvalho chegou a pedir desculpas, não aceitas.

“Não desculpo, nem peço desculpas”.

Radar pediu ao Ministério dos Direitos Humanos cópia do áudio ou vídeo da reunião. A resposta foi que a reunião não foi gravada.

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