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Por que Decotelli tem tudo para cair antes mesmo de assumir o MEC

Polêmicas em torno do currículo do novo chefe do MEC mantêm sina do ministério de ser fonte de notícias negativas ao governo

Por Robson Bonin, Mariana Muniz - Atualizado em 29 Jun 2020, 16h47 - Publicado em 29 Jun 2020, 16h27

O cargo de ministro da Educação requer do seu ocupante capacidades não muito diferentes das exigidas a qualquer gestor político respeitável. Liderança, talento para ouvir, capacidade de convencimento e muita paciência para prover oportunidades de debate a todas as frentes de pensamento desse ecossistema tão plural que é o MEC.

Um currículo celebrado na academia, portanto, é a cereja do bolo, a moldura do ministro ideal. O atual chefe do MEC, Decotelli, não é um político reconhecido, mas chegou ao Ministério da Educação causando boas impressões justamente pelo histórico.

Não precisava, mas dizia ter pós-doutorado na Alemanha, depois de ter se formado doutor na Argentina. Essas duas condições lhe dão respeito, mas será o talento de escolher (gestão) que brigas e missões encampar e vencer (política) que definirá sua passagem pelo MEC.

Um currículo celebrado é facultativo, mas uma fraude acadêmica é algo duro de se admitir. Eis o problema do atual ministro, que pode cair antes mesmo da posse.

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Com um currículo, ao que tudo indica, inventado, ele comprometeu fortemente sua capacidade de se fazer respeitar no comando da Educação brasileira. Pior, voltou a transformar o MEC em fonte de notícias negativas, o que o Planalto desejava mudar com a saída de Abraham Weintraub.

No MEC, a aposta interna é de que o novo ministro não tem condições de permanecer no cargo. Quem trabalha na pasta lamenta, reservadamente, a instabilidade dos últimos dias. A principal preocupação é com as consequências na política educacional de tamanha indefinição, no momento em que instituições de ensino discutem os rumos para a volta das atividades escolares.

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