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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Doria e Bolsonaro se enfrentam em reunião sobre coronavírus – Vídeo

Governador de São Paulo fez uma dura crítica ao pronunciamento de Bolsonaro; 'Guarde essas suas observações para as eleições de 2022', reagiu o presidente

Por Robson Bonin - Atualizado em 25 mar 2020, 11h32 - Publicado em 25 mar 2020, 10h05

João Doria participa nesta manhã da videoconferência dos governadores do Sudeste com o presidente Jair Bolsonaro. Ele abriu sua fala batendo duro no comportamento do presidente, demonstrado no pronunciamento nacional na noite de terça. (leia Em pronunciamento, Bolsonaro joga os dados e cola futuro do seu governo ao destino da crise e também Em vídeo, comandante do Exército implode discurso negligente de Bolsonaro).

“Quero iniciar dizendo que o diálogo é fundamental, é importante e significativo. Que sem diálogo, sem entendimento nós não venceremos essa gravíssima crise de saúde que estamos passando, a pior crise de saúde pública da história do nosso país”, disse Doria ao iniciar sua fala.

“Presidente Bolsonaro, na condição de cidadão, de brasileiro e também de governador de São Paulo lamentamos o seu pronunciamento ontem à noite à Nação. Nós estamos aqui, os quatro governadores do Sudeste, em respeito ao Brasil e aos brasileiros, e em respeito ao diálogo e entendimento. O senhor, como presidente da República, tem de dar o exemplo, tem que ser o mandatário para comandar, dirigir, liderar o país, não para dividir. Todos aqui republicanos, presidente. Temos quatro governadores de quatro partidos distintos, não comungamos das mesmas opiniões e dos mesmos pensamentos ideológicos necessariamente, mas nós trabalhamos conjuntamente”, disse Doria.

O governador de São Paulo ainda se dirigiu diretamente ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para mandar um alerta para que o governo não confisque equipamentos e insumos de São Paulo, epicentro da crise. Doria disse que recorreria à Justiça se o governo Bolsonaro insistisse na medida.

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O primeiro vídeo, mostra parte da fala de Doria. Já o segundo registra a conclusão do governador, com a fala sobre Mandetta, e a reação de Bolsonaro.

Na fala de Doria, fica evidente que ele falou em nome dos outros governadores do Sudeste, mostrando união de atuação frente ao presidente. Durante toda a crítica do governador, ele citou os outros chefes dos estados. Doria cobrou uma postura republicana de Bolsonaro. A resposta do presidente, porém, não teve nada de republicanismo.

Bolsonaro reagiu duramente, mostrando até certo descontrole. “Agradeço as suas palavras governador. Completamente diferente das eleições de 2018, onde vossa excelência apoderou-se do meu nome para se eleger governador. Acabou as eleições, virou as costas e começou a atarcar covardemente aquele que emprestou o seu nome de forma voluntária. Guarde essas suas observações para as eleições de 2022. Quando vossa excelência poderá destilar toda (inaudível) demagogia. Nós aqui temos responsabilidade. Desde o final das eleições de 2018, vossa excelência assumiu uma postura completamente diferente”, disse Bolsonaro.

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Em tempo, o Ministério da Saúde divulgou nesta terça que o número de mortos em decorrência do novo coronavírus no Brasil para 46. Casos confirmados chegam aos 2.201.

Em pronunciamento nacional sobre o coronavírus na noite desta terça, Bolsonaro criticou a imprensa, repreendeu governadores e falou novamente em “histeria” e resfriadinho. “O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará”, decretou, no anúncio de pouco mais de 4 minutos.

O presidente disse que, desde que resgatou-se os brasileiros de Wuhan, na China, onde surgiu o novo coronavírus, o governo traçou um planejamento estratégico para combatera infecção. “Mas o que tínhamos que conter naquele momento, era o pânico, a histeria e, ao mesmo tempo, traçar a estratégia para salvar vidas e evitar o desemprego em massa – assim fizemos”, disse, após elogiar o trabalho do ministro da Saúde, Henrique Mandetta.

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“Grandes partes dos meios de comunicação foram na contramão”, completou, com seu hábito de criticar a imprensa, dizendo que a mídia foi responsável por disseminar “histeria” por aí. “Espalharam a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália.” Bolsonaro alega que trata-se de um país muito diferente do nosso, com mais idosos e um clima diverso. Sobrou indireta para o Jornal Nacional, que pediu à população calma ontem. O presidente acredita que houve uma mudança de discurso.

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