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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O retrato melancólico da passagem de Regina Duarte pela Cultura

Atriz foi anunciada em março como o 'Sergio Moro da Cultura', uma força técnica que colocaria o setor no caminho certo; deu tudo errado

Por Robson Bonin Atualizado em 20 Maio 2020, 11h00 - Publicado em 20 Maio 2020, 10h17

No dia 4 de março, Regina Duarte tomou posse na Secretaria de Cultura de Jair Bolsonaro, depois de deixar uma carreira de mais de 50 anos na teledramaturgia.

Nos dias que antecederam sua confirmação no cargo, os auxiliares de Bolsonaro se derretiam pela atriz dizendo que ela seria na Cultura o que outra estrela do governo naqueles tempos era no Ministério da Justiça.

Regina era, na avaliação dos auxiliares moderados do Planalto, “um sopro de mudança” numa área que se tornou um foco constante de crises e notícias negativas para a imagem do Planalto.

Ninguém questionava a qualificação de Regina para assumir a secretaria e, como Sergio Moro, ela seria outra referência na chamada ala técnica do governo. Deu tudo errado.

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A atriz nunca tomou posse verdadeiramente do cargo. No período em que esteve à frente da Cultura, viveu em um misto de sofrimento e negação da realidade, ao perceber que havia se tornado refém do governo que acreditou um dia poder servir.

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Regina não conseguia demitir a turma ideológica do bolsonarismo que havia tomado conta da Cultura. Também não conseguia nomear as pessoas escolhidas por ela para implementar seu programa na área.

Foi um fantasma dentro do governo, diminuída pelos ministros Onyx Lorenzoni e Marcelo Álvaro Antonio, que partilhavam o poder sobre os cargos e atos da área, em outra esquizofrenia do governo.

No fim de abril, ela começou a dar sinais de que poderia deixar o governo, cansada de tantas derrotas. A família, como ela confirmou nesta quarta, desejava sua saída.

Isolada em seu martírio, a atriz passou a contar com a solidariedade de amigos e artistas — que defendiam sua saída do governo –, mais por pena do que por méritos. Tudo foi abaixo na famosa entrevista concedida por ela à rede CNN, quando a atriz resgatou o uniforme deixado por Roberto Alvim — exonerado após parafrasear o nazista Joseph Goebbels — e revelou-se ao país de uma forma nunca imaginada.

Regina é mais uma estrela ofuscada por um governo onde apenas um personagem pode brilhar. Bolsonaro deve colocar no lugar de Regina ator Mário Frias.

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