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Nota da Defesa é grave e tirou fala de Aziz do contexto, diz Ciro Gomes

Presidenciável apontou que "certas reações" são efeito colateral da presença excessiva de militares em cargos de natureza civil

Por Gustavo Maia Atualizado em 8 jul 2021, 12h17 - Publicado em 8 jul 2021, 10h39

O presidenciável Ciro Gomes se manifestou há pouco sobre a nota divulgada na noite desta quarta-feira pelo Ministério da Defesa para repudiar declarações do presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz, sobre o envolvimento de militares em casos de corrupção no governo. Para o pré-candidato do PDT, o posicionamento das Forças Armadas foi grave e sem foco e tirou do contexto uma “declaração singela” de Aziz.

Ele também apontou que “certas reações” são consequência da forte presença de militares em cargos de natureza civil, no governo Jair Bolsonaro – que não foi citado nominalmente. E pregou um debate mais equilibrado e exibição de força “menos explícita e equivocada”. O resultado, segundo Ciro, pode ser o caos e a violência.

“O debate dos problemas nacionais está tão tenso e distorcido, e a percepção dos fatos políticos tão contaminada, que uma declaração singela do senador Omar Aziz, retirada do contexto, é capaz de gerar uma nota tão grave – e sem foco – como a emitida pelo Ministério da Defesa. Não se pode deixar de perceber que certas reações são efeito colateral da excessiva presença de militares – muitos ainda na ativa – em cargos de natureza civil. Mas excessos de uma retórica anacrônica jamais conseguirão ocultar excessos de vícios burocráticos”, escreveu Gomes, em uma série de tuítes.

“O debate precisa ser mais equilibrado em todos os lados. A exibição de força menos explícita e equivocada. Nenhum personagem pode confundir seus humores e seus interesses com o destino das instituições. Ainda há tempo de se reencontrar o rumo e o equilíbrio. De outro modo, podemos vivenciar o caos, a intolerância e a violência”, concluiu o presidenciável.

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Aziz respondeu às mensagens de Ciro agradecendo ao “amigo”. Durante reunião da CPI na tarde de quarta, o senador perguntou se o depoente, o ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, tinha sido sargento da Aeronáutica, e ele confirmou. O presidente da comissão então comentou:

“Olha, eu vou dizer uma coisa: as Forças Armadas, os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do Governo. Fazia muitos anos. Aliás, eu não tenho nem notícia disso na época da exceção que houve no Brasil, porque o Figueiredo morreu pobre, porque o Geisel morreu pobre, porque a gente conhecia… E eu estava, naquele momento, do outro lado, contra eles. Uma coisa de que a gente não os acusava era de corrupção, mas, agora, Força Aérea Brasileira, Coronel Guerra, Coronel Elcio, General Pazuello e haja envolvimento de militares das Forças Armadas”.

A nota, assinada pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e pelos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, repudia as declarações de Aziz e diz que ele desrespeitou as Forças Armadas e generalizou esquemas de corrupção. E conclui: “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às Instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”.

O alvo da manifestação declarou que não aceita intimidação.

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