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No Conselho de Ética, deputado diz que Câmara tem “bandido e corrupto”

Em tom de ameaça, Janones diz, se cassado, vai acampar no Congresso: "quero ver quem me tira daqui"; e divulga caminhoneiros que ameaçam invadir Brasília

Por Evandro Éboli 24 out 2019, 10h18

O deputado André Janones (Avante-MG) foi acusado no Conselho de Ética da Câmara, pelo Solidariedade, de quebra de decoro parlamentar. A razão: em suas redes sociais, em agosto, atacou quem votou a favor da Lei de Abuso de Autoridade.

Postou áudio no qual diz que seu objetivo na Câmara é “tirar a sujeira debaixo do  tapete, é mostrar o que alguns canalhas fazem aqui”; “a pouca vergonha que esses vagabundos estão fazendo aqui”; “estão defendendo bandidos porque eles sabem que também fazem coisas erradas, que eles roubam o dinheiro público”.

O parlamentar diz ter dois milhões de seguidores e nas redes e divulga ameaça de caminhoneiros de cercarem o Congresso caso cassem seu mandato. “Obrigado aos irmãos caminhoneiros. Está confirmado: se precisar, vão invadir Brasília em defesa da democracia”. Ainda assim nega que esteja estimulando esse movimento.

Essa semana, ele fez sua defesa no conselho e uma enquete virtual com a pergunta: “quem acha que tem bandido travestido de político aqui na Câmara?” Contou que, até aquele momento, dez mil pessoas votaram e quase a totalidade respondeu que “acha”. Ninguém respondeu o contrário.

Diz não se arrepender do que disse.

“E repito em alto e bom som: aqui na Câmara tem bandidos, corruptos e ladrões”, mas que é a minoria.

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Janones quer continuar transformando a Câmara num “grande BBB” (Big Brother Brasil). Disse que a representação contra ele teve o intuito de “intimidá-lo” e que se for cassado irá acampar dentro do Cognresso.

“Tenho dois milhões de seguidores. Quero ver quem me tira daqui”.

O relator de seu caso, deputado JHC (PSB-AL), concluiu que Janones está protegido pela imunidade parlamentar e não entendeu que houve quebra de decoro, mas sim o “exercício regular de seu mandato”.

O deputado mineiro fez nova ameaça se for protocolada outra acusação “sem fundamento” contra ele.

“Não vou hesitar antes em convocar o povo de bem para lotar essa casa e mandar o recado que não vamos assistir calado”.

O processo, porém, não foi julgado. Célio Moura (PT-TO) pediu vistas, adiando essa etapa. Nas redes, Janones insinua que algo pode estar sendo “tramado nos bastidores” contra ele.

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