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Moraes usa denúncia de Moro para suspender ato de Bolsonaro

“A democracia não permite que seus agentes disponham de poder absoluto”, escreve Moraes na decisão em que derruba nomeação de Alexandre Ramagem na PF

Por Robson Bonin Atualizado em 29 abr 2020, 11h27 - Publicado em 29 abr 2020, 10h57

Na decisão em que suspende a nomeação de Alexandre Ramagem, o amigo de Carlos Bolsonaro, no comando da Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes ainda cita as denúncias de Sergio Moro, que revelou a tentativa de interferência política de Jair Bolsonaro em investigações da PF.

“São fatos notórios, além de documentados na inicial, que, em entrevista coletiva na última sexta-feira, dia 24/4/2020, o ainda Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Fernando Moro, afirmou expressa e textualmente que o Presidente da República informou-lhe da futura nomeação do delegado federal Alexandre Ramagem para a Diretoria da Polícia Federal, para que pudesse ter ‘interferência política’ na Instituição, no sentido de ‘ter uma pessoa do contato pessoal dele’, ‘que pudesse ligar, colher informações, colher relatórios de inteligência'”, escreve Moraes.

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O magistrado lembra, na sequência, que o próprio Bolsonaro confirmou as acusações de Moro: “Essas alegações foram confirmadas, no mesmo dia, pelo próprio Presidente da República, também em entrevista coletiva, ao afirmar que, por não possuir informações da Polícia Federal, precisaria “todo dia ter um relatório do que aconteceu, em especial nas últimas vinte e quatro horas”. “Sempre falei para ele: ‘Moro, não tenho informações da Polícia Federal. Eu tenho que todo dia ter um relatório do que aconteceu, em especial nas últimas vinte e quatro horas, para poder bem decidir o futuro dessa nação”, disse Bolsonaro.

Moraes chega a dar voz a Moro na decisão. “Foi indicado o nome do atual diretor da ABIN (referindo-se ao delegado federal Alexandre Ramagem, posteriormente nomeado pelo Presidente da República para a Diretoria da Polícia Federal), que é até um bom nome dentro da Polícia Federal. Mas o grande problema é que não são tanto essa questão de quem colocar, mas sim porque trocar e permitir que seja feita a interferência política na PF. O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele que ele pudesse ligar, colher informações, colher relatórios de inteligência, seja diretor-geral, superintendente e realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”, disse Moro, na despedida do governo.

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