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Lula usa fala de Bolsonaro para tentar provar perseguição política de Moro

Defesa do petista diz que Moro o condenou como parte de uma barganha para receber como 'prêmio' uma vaga no STF

Por Robson Bonin Atualizado em 6 Maio 2020, 18h25 - Publicado em 6 Maio 2020, 14h01

Ao entrar em guerra com Sergio Moro por causa da denúncia dele de supostas interferências políticas na Polícia Federal, Jair Bolsonaro deu novo ânimo à cruzada de Lula para mostrar que o ex-juiz da Lava-Jato atou politicamente ao condená-lo por corrupção no caso do tríplex do Guarujá e nas investigações do Sítio de Atibaia.

Nesta quarta, a defesa de Lula, valendo-se da fala de Bolsonaro contra Moro, protocolou recurso no Tribunal Regional Federal da 4ª Região em que pede o cancelamento do julgamento virtual do recurso do petista e a retirada de pauta para que o mesmo seja julgado presencialmente, com os advogados de Lula presentes, em razão de “fatos novos” no caso.

Quais são os fatos novos? As acusações de Bolsonaro de que Moro barganhou uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A estratégia central da defesa de Lula, para provar que Moro não atuou como juiz na causa, mas como militante político, está amparada nas relações do ex-juiz com Bolsonaro, ainda durante a campanha eleitoral de 2018.

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A defesa cita a história narrada pelo presidente de que iniciou sua relação com Moro em 2017, quando teve o primeiro contato com ele no Aeroporto de Brasília. Na ocasião, Bolsonaro foi tentar apertar a mão de Moro e ele lhe deu as costas, provocando constrangimento ao então deputado. Moro, no entanto, telefonou a Bolsonaro nos dias seguintes para pedir desculpas.

“As pretensões políticas do ex-juiz não se afloraram repentinamente apenas após o pleito eleitoral de 2018. Ao revés, têm elas origem anterior, como sempre afirmou esta defesa com base em diversos elementos”, diz a defesa de Lula.

Os advogados do petista destacam ainda trecho em que Bolsonaro revela que Moro tentou visita-lo no Hospital Albert Einstein durante o segundo turno da campanha, quando ele se recuperava da facada. “Recebi uma ligação de uma pessoa que queria fazer com que o senhor Sergio Moro fosse me visitar. Eu fiquei feliz, mas declinei”, disse Bolsonaro.

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Os sinais de simpatia entre Moro e Bolsonaro, durante a atuação de Moro como juiz, segundo a defesa do petista, seriam suficientes para configurar vícios processuais a serem julgados pela Justiça, no caso da suspeição de Moro em relação a Lula.

Na narrativa petista, Bolsonaro deixou evidente, em seu discurso no Planalto, que Moro cobrava indicação ao Supremo como parte de um acordo subterrâneo para perseguir Lula.

“Mais de uma vez, o senhor Sergio Moro disse para mim. ‘Você pode trocar o Valeixo, sim, mas em novembro, depois que o senhor me indicar para o Supremo Tribunal Federal’”, disse Bolsonaro.

Moro negou tal barganha mostrando mensagens em que a deputada Carla Zambelli oferecia a vaga no STF em troca da nomeação do amigo de Bolsonaro para o comando da Polícia Federal. Mas a defesa de Lula usa a acusação de Bolsonaro para levantar a questão: seria a promessa de vaga no STF “um prêmio por ter retirado Lula (com a condenação), o então candidato, que estava em primeiro lugar nas pesquisas presidenciais de 2018?”

Em tempo, o TRF-4 negou todos os pedidos da defesa de Lula.

Lula também teve nesta quarta a condenação por corrupção no caso do sítio de Sítio de Atibaia mantida. 

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