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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Investigação policial abala mais um ícone do humor brasileiro

Sócios do famoso Festival Risadaria rompem após acusações de estelionato e desvio de dinheiro.

Por Manoel Schlindwein Atualizado em 10 dez 2020, 20h38 - Publicado em 11 dez 2020, 06h02

O Risadaria é um dos maiores festivais de humor do país, encantando audiências ao longo dos anos com revelações e talentos consagrados do gênero. Nas edições online deste ano, desfilaram nomes de peso, como Fábio Porchat, Leandro Hassum, Bruno Mazzeo, Marco Luque, Maurício Meirelles, Tom Cavalcante e Carlos Alberto de Nóbrega.

O projeto é fruto de uma parceria iniciada em 2008 entre Paulo Bonfá e Alain Levi. À época, os sócios ocupavam funções distintas: Bonfá era responsável pela curadoria das obras, enquanto Levi cuidava da captação de patrocínios. Em 2014, Levi deixou o país e foi morar nos Estados Unidos. Bonfá teria então assumido a gestão estratégica da empresa, enviando ao sócio periodicamente a prestação de contas.

As divergências teriam começado em 2018, quando Levi decidiu se retirar da sociedade e, ao buscar os valores relativos às suas cotas, não haveria quantia a receber. Ele então decidiu verificar os números e encontrou omissões na prestação de contas entre 2014 e 2018 que somariam em torno de sete milhões de reais.

O montante teria sido captado por outras empresa de Bonfá que teriam atuado em nome da marca Risadaria. Levi acionou o Ministério Público, que acatou um requerimento de inquérito policial. O caso agora é investigado pelo 14º DP, de Pinheiros, em São Paulo.

Nas 584 páginas do processo, cópias de e-mails trocados entre os sócios, extensas análises financeiras que descrevem as supostas irregularidades e até mesmo fotos de redes sociais que serviriam de base para os argumentos de Levi. Ele se diz surpreendido por uma nova minuta de contrato da empresa, apresentada em janeiro de 2019. Nela, Levi ficaria “sem o recebimento de qualquer pagamento por suas cotas – já que, segundo Bonfá, o negócio não detinha qualquer valor”.

O fato não se “coadunava com o luxuoso padrão de vida que vinha sendo ostentado por Bonfá e sua família sendo que ele sempre ressaltou que a Risadaria era o principal foco de seus esforços profissionais”, argumenta Levi. Numa das imagens anexadas aos documentos, vê-se a satisfação do sócio em acompanhar uma partida de tênis em Roland Garros com Rafael Nadal em quadra, no final da primavera de 2018, em Paris, na França.

Levi não quis comentar os episódios. A assessoria de Bonfá enviou a seguinte nota: “Paulo Bonfá esclarece que seu sócio Alain Levi tem feito pressão há dois anos para tentar vender sua participação no capital do Risadaria, mas tem rejeitado propostas de auditoria e intermediação por empresa de primeira linha para verificar as contas e resolver a questão societária”.

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