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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Leilão da BR-163, uma batalha que move interesses bilionários

Leilão que aposta no escoamento de safra pelos portos do Pará enfrenta resistência de ambientalistas e lobby de transportadores na rota de Santos

Por Robson Bonin Atualizado em 7 jul 2021, 11h27 - Publicado em 7 jul 2021, 13h28

Nesta quinta, Tarcísio de Freitas volta a São Paulo para mais um leilão de infraestrutura na B3. A nova temporada de ativos de transportes começa com a concessão da BR-163 entre Sinop (MT) e Miritituba (PA). O trecho tornou-se conhecido no país por ser um longo atoleiro para caminhoneiros, mas foi completamente pavimentado na gestão de Jair Bolsonaro, com a ajuda do Exército.

Com um prazo de concessão menor (10 anos) e pouca carga de investimentos (cerca de 1,8 bilhão de reais), o leilão não deve atrair os principais players do setor, que se preparam para os maiores certames do ano: a nova Dutra e BR-381/MG.

O leilão da 163, no entanto, esconde algo maior para os planos de logística do governo. A aposta no Arco Norte, linha imaginária no Paralelo 16° S onde tudo que é produzido acima tem maior competitividade quando exportado pelos portos do Norte e Nordeste. Em 2020, a movimentação de grãos na região igualou os números de Sul e Sudeste e, segundo a Antaq, a tendência em 2021 é superar pela primeira vez na história.

Por causa dessa mudança, o leilão tem sido objeto de grande movimentação nos tribunais. Na semana passada, a Justiça Federal no Pará concedeu uma liminar suspendendo o processo após um pedido do Ministério Público Federal alegando impactos da obra sobre povos indígenas não mitigados. A liminar foi suspensa no sábado por decisão do TRF-1, mas a AGU deve seguir de plantão até os 45 do segundo tempo.

O Governo trata o leilão da BR-163 como uma pequena prévia do que deve ocorrer com a Ferrogrão, a ferrovia que é a joia do programa de concessões do ministro Tarcísio e que percorre o mesmo traçado da rodovia. Como o Radar já mostrou, a construção da ferrovia é alvo de bombardeio do poderosos interesses privados no setor de logística.

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