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Governador do Rio aciona Edmar por acusações sem provas em delação

Delação da PGR com o ex-secretário de Saúde da gestão de Wilson Witzel é pautada em fatos de 'ouvir dizer', diz Cláudio Castro

Por Robson Bonin - Atualizado em 2 out 2020, 15h49 - Publicado em 2 out 2020, 14h17

Governador em exercício do Rio, Cláudio Castro resolveu acionar o ex-secretário de Saúde do Rio Edmar Santos por sua palocciana delação premiada em que aponta supostos crimes de Castro a partir de “ouvir dizer”.

A delação de Edmar foi negociada pela procuradora Lindôra Araújo na PGR e pavimentou o afastamento de Wilson Witzel do governo do Rio. Em notícia crime apresentada contra o ex-secretário, Castro bate duro no acordo firmado pela PGR.

“No referido Termo de Declarações, o Noticiado (Santos) faz diversas acusações de envolvimento do Noticiante (Castro) no esquema criminoso relatado, sem, porém, trazer qualquer tipo de elemento que possa vir a corroborar suas alegações, tratando-se a narrativa, quando muito, de ‘ouvir dizer’ sobre o suposto envolvimento”, diz a defesa de Castro.

Depois de analisar a delação do ex-secretário, a defesa afirma que a única acusação contra o governador em exercício é sustentada por uma suposta declaração do presidente da Alerj, André Ceciliano, sobre o envolvimento de Castro no esquema criminoso no Rio.

“Que nesta conversa Ceciliano manifesta descontentamento com André Moura e Cláudio Castro, deixando claro que os dois participavam do esquema ilícito, chegando a propor que deixaria de fazer pagamentos aos dois e que o colaborador se tornaria o único beneficiário de valores ilícitos envolvidos, se o mesmo ajudasse Ceciliano a receber os valores”, descreve o delator no anexo 31 da colaboração.

“Ao analisar os autos da referida colaboração, verifica-se que não há qualquer elemento que chancele as acusações feitas em face do Noticiante, baseando-se as acusações em afirmativas que, supostamente, teriam sido feitas ao Noticiado por terceiro, bem como em conjecturas criadas pelo próprio Noticiado”, diz a defesa.

Para a defesa de Castro, o delator mentiu na colaboração e, portanto, deve perder os benefícios judiciais e ser enquadrado no crime de falsa imputação. O pedido de Castro, encaminhado ao MPRJ, é para que o delator responda a procedimento criminal por falsa imputação de crime.

Se restar provado que Santos criou as histórias relacionadas ao governador para escapar da Justiça, o ex-secretário de Saúde pode ter os benefícios judiciais cancelados.

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