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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Pedro Carvalho. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Filha de Rubens Paiva: “na comissão, vão ter que olhar nos meus olhos”

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Por Evandro Éboli - 4 ago 2019, 10h30

Representante da sociedade civil na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, a psicóloga Vera Paiva não pretende deixar o colegiado depois do desmonte feito por Bolsonaro no grupo. Vera é filha do ex-deputado Rubens Paiva, uma das referências da resistência à ditadura e que foi preso e morto por militares, como concluiu a Comissão da Verdade, com documentos.

Vera disse ao Radar que a nova composição da comissão terá que conviver com ela e terão que olhar nos seus olhos. O presidente indicou nomes de defensores da ditadura e admiradores de Brilhante Usta.

A permanência de Vera é também uma homenagem à sua mãe, Eunice Paiva, que integrou a primeira formação da comissão, em 1995, quando instalada por Fernando Henrique Cardoso.

“Não vou sair. Vou permanecer na comissão. Basicamente por um motivo: vão ter (os novos integrantes) que olhar nos meus olhos e conviver comigo. Terão que conversar comigo. Não tenho problemas de enfrentar as diferenças. Eles têm. Defendem posições que não são de democratas nem cristãos de verdade. Preferem a tortura e a defesa da morte dos inimigos (referência a 64). É duro estar ao lado de quem defende Ustra, mas a grande maioria do povo brasileiro não acha bom a tortura e nem a morte. Não gosta do ódio. Não aprova a justiça de eliminação de seus inimigos políticos e ideológicos. Aprendi com minha família  uma visão mais parecida com a do Papa Francisco, do que essa versão fajuta de cristianismo, baseada nesse ódio” – disse Vera Paiva.

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Sobre a mãe, Eunice:

“Minha mãe esteve na primeira comissão. Não aguentou ficar porque não aguentava ver toda hora relatos de tortura e de abusos, principalmente contra as mulheres. Achou que deu a contribuição dela. Eu aceitei também por isso integrar a comissão (desde 2014). Achei que tenho uma contribuição importante, não só por minha família, sou psicóloga”.

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