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Em nova denúncia, MP acusa ex-governador da Paraíba de fazer dossiês

Por disputa política no Tribunal de Contas, Ricardo Coutinho teria contratado empresa de inteligência

Por Mariana Muniz 10 mar 2020, 11h08

Em nova denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba contra o grupo do ex-governador Ricardo Coutinho, na chamada Operação Calvário, os investigadores falam em um suposto esquema de dossiês elaborados pela cúpula do governo paraibano contra membros do Tribunal de Contas do Estado.

A denúncia descreve que, em 2014, o então governador Ricardo Coutinho, com a colaboração de seus auxiliares, colocou em prática um “revide” contra o TCE e encomendou a contratação de uma empresa para realizar levantamento de informações de conselheiros, auditores e familiares da Corte de Contas estadual.

Os relatórios poderiam, segundo o MP, ser usados contra os próprios conselheiros e auditores, com o objetivo de “evitar ou negociar a intensidade das ações de fiscalização” nos contratos envolvendo a saúde. Segundo a denúncia, além de se incomodar com a ações de fiscalização do TCE na área de saúde do estado, alguns integrantes da do governo acreditavam que o órgão estava sendo usado por grupos políticos rivais, como a família Cunha Lima.

De acordo com a acusação, as investidas em desfavor de membros do TCE e de seus familiares foram operadas por Daniel Gomes da Silva – operador da Cruz Vermelha Brasileira que detinha contratos na área da Saúde do estado. As investigações sobre o esquema de dossiês, aliás, tiveram forte participação da delação premiada de Daniel, fechada no final de 2019.

Em contrapartida ao pagamento de quantias do estado, Daniel teria contratado, ainda segundo o MP, a empresa Truesafety, especializada em inteligência e contra inteligência empresarial, para concretizar a tarefa pedida pelo governo. A empresa, diz a denúncia, foi paga com dinheiro proveniente da propina.

Além de Coutinho, outras seis pessoas foram denunciadas. Nesta terça-feira, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões e cumpriu mandados de prisão temporária, todos com base nesta nova fase da Operação Calvário.

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