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Diretor de Inteligência demitido do MJ negou dezenas de pedidos de anistia

Coronel Gilson Libório indeferiu pedidos quando ocupou a secretaria-executiva do ministério, no governo Temer

Por Evandro Éboli - Atualizado em 10 ago 2020, 16h41 - Publicado em 10 ago 2020, 17h34

Demitido da chefia da Diretoria de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas (Seopi), do Ministério da Justiça – apontado como responsável por um dossiê contra centenas de policiais e alguns professores antifascistas – o coronel Gilson Libório de Oliveira Mendes indeferiu dezenas de pedidos de concessão de anistia política.

Esses atos se deram quando ele ocupou a secretaria-executiva do Ministério da Justiça, no governo de Michel Temer. Como substituto do titular,  Torquato Jardim, Libório assinou, pelo menos, duas centenas de portarias durante esse período, negando os pedidos por requerentes que se sentiram atingidos por atos da ditadura.

Levantamento feito por Radar, mostra que o coronel assinou, no mínimo, 217 portarias negando a concessão de anistia, que implica também em reparação econômica. Destas, 81 haviam sido aprovados pelo colegiado da Comissão de Anistia, da qual Libório não fazia parte. Mas a palavra final sempre foi do ministro da Justiça. O coronel as assinava na condição de ministro da Justiça substituto. Representava o ministro.

Para se ter ideia dos pedidos negados na gestão de Jardim: ao todo foram indeferidos 1.862 casos e apenas 37 foram deferidos. Do total negado pela gestão de Torquato Jardim, 185 foram aprovados pela comissão.

Durante audiência pública na Câmara sobre o assunto, em agosto de 2018, Libório, e Torquato Jardim, foram alvos de críticas de anistiandos, que atacaram a morosidade no julgamento e a mudança de entendimento de ambos contrariando essas decisões favoráveis da comissão.

Até o fechamento desta nota, Radar não conseguiu contato com Gilson Libório. O Ministério da Justiça informou não responder mais por demandas que envolvem seu nome, por já não ser mais do quadro da pasta.

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