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Radar Por Gabriel Mascarenhas (interino) Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Como os leilões online deixam de injetar bilhões na economia

Fim da obrigatoriedade do leiloeiro pode ampliar mercado em 35 vezes, aponta estudo

Por Manoel Schlindwein Atualizado em 27 out 2020, 13h35 - Publicado em 27 out 2020, 13h32

A compra e venda de todo tipo de produto por meio de leilões online não é novidade alguma para o consumidor brasileiro, mas há um quê de obsoleto na operação que impede o setor de movimentar bilhões na economia. É a atrasada necessidade da – pasme o leitor – presença física de um leiloeiro nas negociações, inclusive aquelas feitas pela rede.

O anacronismo faz com que um leilão aparentemente conduzido apenas pela internet ainda dependa de um funcionário credenciado supervisionando todas as operações, algo dispensável em tempo de algoritmos e inteligência artificial.

Só essa característica, resquício de uma lei de 1932, responde por 31,21% do custo de um leilão, observa um estudo da GO Associados. E isso porque os leilões virtuais, onde os compradores podem acompanhar os lances a partir da tela do celular, ainda requerem publicação em ao menos três jornais de grande circulação e o pagamento de uma taxa para a Junta Comercial.

O estudo sugere que aperfeiçoar a lei de modo a aposentar os leiloeiros aumentaria o mercado em 35 vezes e, de quebra, promoveria aumento na arrecadação do governo, seja porque a iniciativa dinamiza a economia, seja porque ela traz uma estrutura tributária unificadora.

O impacto fica mais claro quando se olha para o mercado de leilão de carros usados. Dos mais de 14 milhões de unidades vendidas em 2019, só 600.000, o equivalente a 4%, foram negociadas por meio da modalidade. Se o percentual fosse dobrado, a partir do fim da função do leiloeiro, os R$ 9 bilhões negociados chegariam fácil aos R$ 18 bilhões.

“A presença do leiloeiro é algo da Era Vargas, hoje não faz o menor sentido”, argumenta Gesner Oliveira, sócio da GO Associados. Segundo ele, a legislação atual encarece as operações, não democratiza o acesso do consumidor e, por ser muito burocrática, engessa os negócios, limitando o potencial de crescimento da atividade no país, como se observa em mercados desenvolvidos, como o norte-americano e o britânico.

O estudo ressalta: “Evidentemente, não se sugere a extinção abrupta da profissão dos leiloeiros, mas sim, se realizada de maneira gradual, pode-se observar o substancial aumento de escala do segmento de leilões no Brasil”.

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