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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Bolsonaro diz que marco temporal vai acabar com agronegócio no país

STF discute caso de desapropriação de terra indígena que pode virar jurisprudência para outros processos

Por Lucas Vettorazzo, Laísa Dall'Agnol Atualizado em 26 ago 2021, 13h02 - Publicado em 26 ago 2021, 12h57

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira a apoiadores em Brasília que o chamado “marco temporal”, discussão no STF que pode mudar o entendimento sobre a demarcação de terras indígenas, poderá “acabar” com o agronegócio no país.

Bolsonaro afirmou que caso haja decisão favorável aos povos originários, ele terá que ser obrigado a assinar a demarcação de uma grande área supostamente em detrimento de produtores rurais, hoje um de seus principais pontos de apoio. 

“Se mudar o entendimento passado, de imediato nós vamos ter que demarcar, por força judicial, uma outra área equivalente à região sudeste como terra indígena. Acabou o agronegócio, simplesmente acabou. Vai embora Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás, vai embora tudo”, disse o presidente.

A questão do marco voltou ao debate no STF durante o julgamento nesta semana de uma ação de reintegração de posse movida pelo governo de Santa Catarina contra povos da etnia Xokleng, da Terra Indígena Ibirama La-Klãnõ, onde também vivem índios Guarani e Kaingang. 

A discussão principal e que pode virar jurisprudência para outros casos é se os indígenas têm direito a reivindicar terras somente nos locais em que eles já se encontravam fisicamente na data da promulgação da Constituição de 1988. 

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Os indígenas dizem que o marco temporal irá limitar seu direito a terras por questões de ancestralidade. Com a discussão no Supremo, mais de 30 processos de demarcação estão parados no país. 

Bolsonaro nunca escondeu seu desprezo pelos povos originários e seu desejo de explorar economicamente territórios indígenas. “Não tem reserva indígena em cima de terra pobre, pessoal. Ali tem diamante, ouro, tem de tudo”, disse ele. 

O presidente deu um jeito ainda de culpar Lula pelo protesto de seis mil indígenas em Brasília contra o marco temporal. 

Ele os acusou de serem influenciados pelo “sapo barbudo”, apelido que Leonel Brizola deu a Lula em 1989. Ele fingiu narrar aos seus apoiadores argumentos dados pelos indígenas em entrevistas e fez questão de marcar o estereótipo do povo que articula primariamente as palavras em português. 

“Os índios são uns coitados. Você vê eles sendo entrevistados e eles não sabem a que [vieram]. ‘Você tá contra o quê?’. ‘Contra o governo’. ‘O governo quer acabar com a gente’. Ai fala no nome do ‘sapo barbubo’. [Eles respondem que] ‘O sapo barbudo ajudou a gente’. ‘Ajudou o que?”. ‘Ajudou’”, disse Bolsonaro.

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