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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Análise: O que falta para Lulinha e sua turma rodarem na Lava-Jato

Investigação reuniu conteúdo devastador sobre movimentações financeiras que enriqueceram o filho de Lula, mas falta um personagem na história

Por Robson Bonin - Atualizado em 10 dez 2019, 15h35 - Publicado em 10 dez 2019, 15h18

A Lava-Jato oferece nesta terça 168 páginas de falcatruas envolvendo velhos conhecidos de um dos episódios mais rumorosos do governo Lula: o milagre da conversão de Lulinha em empresário de sucesso. Em um resumo simples, o papelório da Operação Mapa da Mina mostra como a Gamecorp de Lulinha e dois amigos, Jonas Suassuna e Kalil Bittar, uma empresa de amadores, sem funcionários nem reputação de mercado, passou a faturar milhões de reais da noite para o dia junto a tubarões do setor de telefonia como a Oi — a história foi revelada por VEJA na célebre capa do “Ronaldinho”.

Foram os contratos milionários de Lulinha, Suassuna e Bittar com a tele que, segundo a Lava-Jato, bancaram o recanto de Lula nas montanhas de Atibaia, revelado por VEJA em 2015. O raciocínio para sustentar essa acusação é simples: a Oi, uma multinacional com interesses no governo Lula, pagou 132 milhões de reais em propinas a Lulinha e seus sócios. O dinheiro supostamente sujo era depositado na mesma conta bancária de onde saiu o dinheiro para a compra do sítio em Atibaia. Como VEJA revelou, Suassuna e Fernando Bittar, irmão de Kalil, são os donos formais da propriedade, comprada por 1,5 milhão de reais.

O pacote de evidências é acompanhado por 146 anexos. São extratos de depósitos bancários, e-mails, mensagens de celular, depoimentos, contratos empresariais… Reunida em ordem cronológica, a papelada fornece um poderoso cenário sobre movimentações financeiras de Lulinha e sua turma com grandes empresas. O cheiro de que há, de fato, algo muito podre na história está presente.

O que falta, então, para que os investigadores consigam fechar o cerco a Lulinha? Um corruptor confesso. Alguém com capacidade de desempenhar o papel que Léo Pinheiro desempenhou no caso do tríplex do Guarujá. O empreiteiro que comandava a OAS, para quem não se lembra, foi a peça central na condenação de Lula.

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Foi Léo que ligou Lula às obras superfaturadas da Petrobras e às propinas da OAS ao PT. Foi ele quem ligou o esquema todo ao tríplex e foi ele que sustentou que Lula era verdadeiro dono do imóvel. No caso em questão, a Lava-Jato tenta há tempos encontrar um empresário corruptor que aponte o dedo para Lulinha no caso da Gamecorp e forneça as peças que faltam ao quebra-cabeças.

O candidato ao cargo, como VEJA revelou em 2016 – ao antecipar os pagamentos milionários a Lulinha, só agora divulgados pela Lava-Jato –, era o ex-chefe da Andrade Gutierrez Otávio Azevedo. Naquele ano, ao negociar seu acordo de delação, Azevedo foi instado a contar detalhes da operação de compra de participação societária na Gamecorp pela antiga Telemar atual Oi, que tem a Andrade Gutierrez entre seus controladores. Azevedo negou com todas as forças conhecer eventuais negociatas no episódio.

Quem conhece a história diz que a Lava-Jato acertou ao vasculhar a Andrade, só errou de sala.

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