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Risco de Heineken fechar fábrica no país agita matriz na Holanda

Direitos de exploração de água que abastece sua maior planta no Brasil são revertidos em favor de empresário baiano

Por Machado da Costa - Atualizado em 2 out 2020, 14h22 - Publicado em 2 out 2020, 10h55

A direção da Heineken no Brasil está com um problemão para resolver. O direito de exploração de água que abastece sua maior planta no país, em Alagoínhas, na Bahia, foi revertido em favor do empresário Maurício Britto Marcellino da Silva e pode culminar na inoperância da unidade. Depois de 26 anos, o empresário baiano conseguiu na Justiça uma vitória sobre a Agência Nacional de Mineração que refaz todo o processo de licitação desses direitos de exploração.

Agora o imbróglio chegou até a direção da companhia na Matriz, na Holanda. Nas últimas semanas, uma série de reuniões entre os administradores daqui — a maioria oriundo da antiga Kaiser — e de lá foi realizada para tentar encontrar uma solução. Uma delas, importar água de outro lugar, é inviável. O produto pioraria e ficaria extremamente cara a operação. A segunda é tentar na Justiça manter os direitos, porém, a decisão homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) deixa claro que a Heineken não faz parte do processo, exclusivo ao empresário e à ANM. E como transitou em julgado, não cabe mais recurso à agência. A terceira saída é comprar os direitos de Marcellino da Silva.

Já tem até valor: 900 milhões de reais, segundo um estudo realizado pela consultoria Duff & Phelps. Como comparação, a Heineken pagou pela Brasil Kirin — antiga dona da fábrica — cerca de 2,1 bilhões de reais, em 2017.

A Heineken enviou uma nota. O Radar Econômico reitera as informações. Leia, abaixo, na íntegra.

Sobre a matéria veiculada em 02 de outubro de 2020, a respeito de sua Cervejaria em Alagoinhas (BA), o Grupo HEINEKEN no Brasil nega que tenham acontecido reuniões a respeito desse tema com a matriz da Companhia. Além disso, a Companhia reforça que não existe a possibilidade de fechamento da Cervejaria, sob nenhuma hipótese. Reiteramos que não há decisão judicial ou administrativa que impacte essa condição e que seguiremos trabalhando na defesa de nossos direitos, seja na esfera administrativa ou judicial, tomando todas as medidas legais que julgarmos apropriadas.

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