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Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

Risco Bolsonaro leva valuation do Banco do Brasil de volta à era Dilma

VEJA Mercado: investidores botam preço do risco nos papéis do BB

Por Diego Gimenes 28 set 2021, 10h04

O ministro da economia Paulo Guedes fala agora em privatização do Banco do Brasil. Ninguém acredita nisso. Mas o que de fato aconteceu no governo Bolsonaro é que o Banco do Brasil perdeu valor. No governo da ex-presidente Dilma Rousseff, os investidores davam um grande desconto às ações do Banco do Brasil que começou depois que a então presidente determinou que os bancos públicos baixassem os juros das operações de crédito. Era o risco Dilma. Ao que mostram os números, o risco Bolsonaro não é muito diferente. Valuation nada mais é do que uma equação, ou uma análise do mercado financeiro, a respeito do valor de uma companhia. Esse valor é calculado em cima das projeções de lucro anual de uma companhia em relação ao seu valor de mercado atual. No caso do Banco do Brasil, a expectativa é de que o banco lucre 20 bilhões de reais em 2022, contra um valor de mercado que, hoje, é de 82 bilhões de reais. Ou seja, o valuation é de 4.2 vezes o lucro de 2022. Em 2015, no governo Dilma, a equação apontava para um valuation de 4 vezes o lucro daquele ano. 

“Um número bem baixo, mas que deve ser visto dentro de um contexto maior, de risco país e de juros. O maior problema é a nebulosidade, a incerteza nos rumos da política do BB. É importante comparar o número com o dos grandes bancos privados também”, diz Carlos Macedo, analista da Ohmresearch. Hoje, o valuation do BB tem um desconto médio de 47% em relação a Itaú e Bradesco. No ápice dos juros em 2016 e com o impeachment de Dilma em andamento, o desconto chegou a bater 50%. 

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