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Puxado por Vale e Petrobras, Ibovespa se descola do exterior e cai

VEJA Mercado: Vale, inflação e incertezas no rumo da economia estressam investidores brasileiros

Por Felipe Mendes 23 jul 2021, 17h54

VEJA Mercado fechamento, 23 de julho.

Após sessões em linha com o desenrolar das bolsas de valores em Wall Street, o Ibovespa, indicador que mede o desempenho das ações listadas na B3, destoou. Nesta sexta, a bolsa brasileira recuou 0,87%, sob forte pressão induzida aos papéis da mineradora Vale (-0,51%) e da Petrobras (-0,59%), que possuem, juntas, o maior peso do índice acionário do país. No caso da Vale, a pressão advém da queda de 2,01% sobre os contratos futuros usados como referência para o minério de ferro — a commodity registrou sua pior retração semanal em 17 meses, impactada pela redução imposta pelo governo chinês. Nos EUA, os índices Nasdaq (+1,04%), S&P 500 (+1,01%) e Dow Jones (+0,68%) fecharam em alta. O dólar, por sua vez, arrefeceu, mas manteve-se acima dos 5,20 reais, com alta de 0,05% frente à sessão anterior.

Para Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, o fator político também incomoda aos investidores brasileiros. Ele cita a inflação, que teve prévia divulgada nesta sexta, e a aparente perda de força do ministro da Economia, Paulo Guedes, como sinais de alerta. “Enquanto lá fora a S&P voltou a renovar as máximas históricas, em meio a balanços sólidos, com mais de 85% das empresas com resultados acima das expectativas, aqui nós tivemos dados de inflação novamente fortes, o que renovou as expectativas quanto a possibilidade de uma elevação em 1 ponto percentual na próxima reunião do Copom”, diz. “Ao mesmo tempo, os dados dos reservatórios hídricos seguem em níveis preocupantes, o que pressiona o setor de energia e pode se traduzir em mais pressão inflacionária no futuro. Tudo isso gera mais incerteza, num momento em que o Paulo Guedes perde força, com a criação do Ministério do Trabalho”, complementa.

No campo corporativo, as ações da farmacêutica Hyphera Pharma foram as que mais subiram hoje: 3,65%. “A expectativa é que a companhia reporte dados positivos, assim como outras empresas farmacêuticas, devido ao crescimento da demanda por seus produtos”, diz Thayná Vieira, economista da Toro Investimentos. O segundo maior avanço do dia foi da Usiminas (+1,41%), acompanhada pela Locamerica (+1,06%). Dentre as maiores perdas do dia, destacaram-se a Braskem, que recuou 5,56%, refletindo seus resultados prévios do segundo trimestre, que foram aquém do esperado. A segunda maior queda da sessão foi novamente da supermercadista Pão de Açúcar (-3,56%) seguida pelos papéis da varejista Magazine Luiza (-2,8%).

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