Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

Por que a crise hídrica ainda não atingiu as empresas de energia da bolsa

VEJA Mercado: setor criou casca após sucessivas crises hídricas nos últimos anos; diversidade de fontes tranquiliza, e preço deve ser fator mais importante

Por Diego Gimenes Atualizado em 10 jun 2021, 12h06 - Publicado em 10 jun 2021, 12h03

No último período chuvoso, o país registrou a pior entrada de água nos reservatórios em 91 anos, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Aí veio o período seco e a situação só piorou a ponto de o ONS  alertar  que oito reservatórios da Bacia do rio Paraná podem chegar ao fim do período seco, em novembro, vazios. Diante de um cenário que parece catastrófico, por que as empresas de energia da bolsa não reagiram mal à crise? O Índice de Energia Elétrica da B3 (IEE) apresenta variação positiva de 1,1% no ano. O movimento é considerado normal e mostra que o setor está calejado quando o assunto é crise hídrica. Ainda que os ganhos do Ibovespa sejam maiores no ano, na casa dos 8%, é preciso lembrar que os sucessivos recordes de pontos do índice se deram pelo boom das commodities e pelo momento favorável da economia brasileira, em especial do varejo.

Nos últimos oito anos, foram ao menos três grandes crises hídricas, em 2014, 2015 e 2017. “As companhias já passaram por essa situação antes. Isso ajuda a explicar porque as ações do setor estão se comportando razoavelmente bem. Se estivéssemos com alta probabilidade de racionamento, os preços indicariam isso, mas como os gestores viveram isso em um passado tão recente, a situação é interpretada com mais tranquilidade”, analisa Antonio Junqueira, analista de setor elétrico do Citi. “Seria preciso o pior período hídrico da história novamente. Isso aconteceu entre dezembro e maio passado, mas significa que os próximos serão os piores de novo? É pouco provável, a probabilidade é baixa”, completa.

A diversidade de fontes no sistema também traz alívio aos investidores, uma vez que em crises marcantes, como a de 2001, as hidrelétricas respondiam por mais de 90% da geração de energia do país. Hoje, a fonte eólica, sozinha, é capaz de atender 18% da demanda nacional entre os meses de junho e outubro, período seco de chuvas e propício para os ventos.

O fator preço deve ser mais relevante no mercado de ações em relação à crise hídrica. A Aneel determinou bandeira vermelha 2 na conta de luz em função da escassez de água nos reservatórios, em vista que uma das ações para mitigar os efeitos crise é a ativação das termelétricas, que saem mais caras para o consumidor.

Continua após a publicidade
Publicidade