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Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças

O bate-boca de Armínio Fraga e Monica de Bolle sobre o auxílio emergencial

Economistas divergem sobre capacidade de endividamento do país

Por Machado da Costa 25 fev 2021, 10h23

Nesta quarta-feira, 24, o Observatório do Conhecimento, um espaço de discussão de políticas públicas, realizou um debate entre cinco reconhecidos economistas: (em ordem alfabética) André Lara Resende, Armínio Fraga, Esther Dweck, Laura Carvalho e Monica de Bolle. O debate ia muito bem até chegar na questão do auxílio emergencial, as contrapartidas exigidas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e a capacidade de endividamento do Brasil para financiar o combate à pandemia. Armínio Fraga virou voto vencido em meio aos heterodoxos André, Esther, Laura e Monica. Contudo, uma frase de Armínio gerou um bate-boca que culminou no fim da discussão, transmitida pelo Youtube.

O ex-presidente do Banco Central defendeu sua posição de que não é possível abrir as portas da Casa da Moeda e do Tesouro Nacional para se emitir dinheiro e se endividar indiscriminadamente. Ele citou, inclusive, as restrições fiscais do tripé macroeconômico dos anos 1990 que salvaram o real em meio às crises da Rússia, do México e dos tigres asiáticos. “Nós, infelizmente, temos que tomar mais cuidado do que outros países. É a nossa sina. Nós, nos momentos favoráveis, não acumulamos gordura para trabalhar melhor nos momentos mais difíceis. A gente tem gastado bastante, às vezes um mal.” Após Monica de Bolle rebater os argumentos de Fraga, o bate-boca começou.

A economista afirmou que a política fiscal não está a serviço da população, que os próximos anos serão terríveis e que o governo possui uma responsabilidade social. Sem considerar esses três temas, o debate fiscal não quer dizer absolutamente nada. E então faz duas determinações: “Primeiro, precisamos de auxílio emergencial sem condicionalidades, pois não há uma emergência condicionada. É uma contradição em termos. Segundo, estamos iniciando uma campanha de vacinação e quantas vezes vimos isso ser discutido como tema central no orçamento? Fala-se de teto, teto e teto. O debate fiscal está falido. A responsabilidade fiscal virou um termo que se usa para justificar e relativizar mortes.”

Eis que Armínio interveio. “Quero fazer um breve comentário, já que a Monica falou três vezes: é fácil fazer esse discurso porque ele mexe com o coração da gente. Eu só acho que é preciso um certo cuidado”, afirmou. “Não vamos falar de coisa do coração versus intelectual que não é legal”, respondeu Mônica. “Olha só, eu acho que a gente pode encerrar por aqui porque isso está virando bate-boca e não uma coisa mais séria”, replicou Armínio. “Quando entra no mérito do coração versus o intelectual realmente vira uma conversa não séria”, concluiu Monica.

Depois do entrevero, o clima entre os economistas pesou. André logo se despediu, mas não deixou de criticar o colega de Plano Real. “Existe uma evidência lógica: a de que o país que tem moeda fiduciária e se endivida em sua própria moeda não tem restrição financeira. Esse risco fiscal não existe. Todos os países que fizeram Quantitative Easing para comprar ativos do mercado financeiro não tiveram problemas. Criou-se uma forma de fazer política fiscal financiada monetariamente pelo Banco Central de forma que aceita o mercado financeiro. Agora, o dólar subiu, claro. Sobe porque o país está com problemas gravíssimos e porque há um batalhão de economistas em toda a mídia dizendo que o Brasil está a beira do abismo fiscal. As expectativas contam. Aí esse governo estúpido não ajuda, como fez o que fez com a Petrobras.”

Armínio, então em sua última participação afirma: “Eu discordo pelas razões que eu já coloquei. Emitir moeda é mais uma ameaça do que qualquer coisa.”

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