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Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

Magnata israelense vai usar depoimento inédito de advogado contra Vale

Advogado sul-africano diz que avisou conselho que não deveria comprar mina de ferro em Simandou, na Guiné

Por Josette Goulart Atualizado em 12 Maio 2021, 17h03 - Publicado em 12 Maio 2021, 16h00

O magnata israelense Beny Steinmetz vai usar o depoimento inédito de um advogado sul-africano para tentar chacoalhar investigações brasileiras contra a Vale. Uma nova cartada é usar o depoimento do advogado Steven De Backer em que ele diz que aconselhou a Vale, durante o processo de due dilligence, a não comprar uma mina de ferro em Simandou, na Guiné. De Backer relata no depoimento que disse aos membros do conselho da mineradora brasileira que não deveriam prosseguir com o negócio por conta de fortes rumores de que a BSGR, empresa de Steinmetz, tinha atuado de forma corrupta na Guiné, embora não houvessem provas. O advogado é ex-sócio do escritório Webber Wentzel, que fez a due dilligence do negócio, e deu o depoimento a investigadores da firma israelense Black Cube, contratada por Steinmetz para tentar provar que a Vale sabia onde estava se metendo.

Parece maluquice que Steinmetz esteja usando depoimentos que falam de corrupção na sua própria empresa, mas o objetivo do empresário é tentar anular uma sentença arbitral bilionária contra ele. Steinmetz perdeu um processo arbitral, em Londres, em que a Vale alegou ser vítima por não saber dos processos de corrupção que Steinmetz estaria envolvido. Quando a Vale foi executar a sentença, de cerca de 2 bilhões de dólares, em uma corte em Nova York, o empresário israelense começou uma contra ofensiva para tentar provar que a Vale não só sabia de tudo o que acontecia na Guiné como a empresa brasileira teria tentado alternativas pouco transparentes, sem informar os acionistas. A Vale costuma dizer que Steinmetz só está tentando se esquivar do pagamento definido por um processo irrecorrível, mas até a publicação desta nota não havia se manifestado à coluna.

O depoimento inédito do advogado sul-africano não foi usado nem em Londres, nem em Nova York, porque o escritório Webber Wentzel era subcontratado por um escritório de advocacia inglês, o Clifford Chance, que estava no processo arbitral. As cortes britânicas consideram que todas as informações coletadas por advogados devem permanecer sob sigilo, ainda que o serviço de due dilligence não tenha relação direta com a advocacia. Mas agora os advogados de Steinmetz acreditam que isso não será um empecilho pela lei brasileira. Os vídeos com os depoimentos de De Backer devem ser examinados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. 

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