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Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

Inflação pegou as construtoras, que tiveram as maiores quedas na bolsa

VEJA Mercado: exportadoras, por outro lado, subiram com expectativa de que alta da inflação americana fará dólar subir

Por Diego Gimenes Atualizado em 9 jun 2021, 17h52 - Publicado em 9 jun 2021, 17h46

VEJA Mercado fechamento, 9 de junho.

O IPCA veio e as construtoras tiveram pouco o que comemorar. A inflação para o mês de maio ficou em 0,83%, a maior alta desde 1996. Com o índice acima da expectativa do mercado, cresceu também a pressão em cima da reunião do Copom, marcada para a próxima quarta-feira, 16. Mais inflação pode significar um aumento maior da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 3,5%, o que prejudicaria o setor imobiliário. “Os números do varejo e o IPCA acenderam um sinal de alerta de que a alta dos juros pode vir mais forte do que se espera. Quem sofre com isso são as construtoras, que dependem de uma taxa de juros menor, por isso a maioria operou em baixa hoje”, diz Murilo Breder, analista de renda variável da Easynvest by Nubank. Cyrella MRV representaram esse fenômeno, fechando em quedas de 2,6% e 2,39%, respectivamente.

Se a divulgação do IPCA mexeu com o mercado, os dados da inflação americana, que só vão sair amanhã, já ditaram o ritmo da bolsa brasileira no pregão desta quarta-feira. Suzano e Klabin, exportadoras de papéis e embalagens, foram os destaques do dia, subindo 2,79% e 1,86%, respectivamente. Se a inflação dos EUA continuar alta, o Fed terá de subir as taxas de juros do país antes do esperado, e o dólar pode voltar a operar em alta porque  o investidor estrangeiro se sentirá mais confortável a aplicar em território americano. “As exportadoras começaram a subir forte hoje, é um termômetro de que o mercado está enxergando a inflação dos EUA alta”, diz Rodrigo Friedrich, chefe de renda variável da Renova Invest. Nesta quarta-feira, o dólar fechou em alta de 0,69%, a 5,07 reais.

Outro destaque foi o desemprenho da Vale, que fechou em alta 2,22%, puxada sobretudo pelo preço do minério de ferro, que subiu 2,68% no dia. Já a B3 começou a recuperar as perdas após cair 5,5% somente no pregão de ontem, terça-feira. Hoje, subiu 0,43%, mesmo com a notícia do aval da CVM para a Mark 2 Market atuar como depositária de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), mercado em que a B3 operava sozinha. “A queda de B3 foi exagerada. O mercado estava precificando a companhia a preços de 2019 e isso não faz o menor sentido, é como se já tivesse uma concorrente na bolsa, mas a realidade é o surgimento de concorrência num segmento muito específico”, analisa Friedrich. O Ibovespa fechou o dia praticamente estável, com leve alta de 0,09%, a 129.906 pontos.

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