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Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

Governo Bolsonaro parece com o de Temer pós-Joesley, diz gestor

Chefe de investimentos da Franklin Templeton no Brasil diz que estrangeiro que está entrando em bolsa é mais para trade do que para comprar e manter

Por Josette Goulart 24 ago 2021, 15h53

Dinheiro de investidor estrangeiro que está indo para a bolsa brasileira está mais para “trade” do que  para “buy and hold”, diz Frederico Sampaio, Chief Investment Officer da Franklin Templeton no Brasil, uma das maiores gestoras de recursos do mundo. Ou seja, o dinheiro entra mais para especular do que por crédito do Brasil. Isso reflete a instabilidade política e o cenário pouco definido para 2022. O investidor que já estava aqui e está mantendo Brasil, busca as liquidações. “O valuation do Brasil está como o de terra arrasada, com números abaixo do que estava no governo Dilma”, diz Sampaio, para frisar que está barato.

Mas as apostas da gestora estão em prazos mais longos, para depois do ano das eleições. “O governo Bolsonaro está parecido com o de Temer depois da JBS”, diz Sampaio, referindo-se ao dia da divulgação da gravação feita por Joesley Batista do então presidente da República. Depois daquele dia, Temer não aprovou mais nada no Congresso, lembra Sampaio, e seu capital político foi todo usado para barrar denúncias. Descrente de que o governo Bolsonaro consiga aprovar reformas daqui para frente, Sampaio diz que o mesmo acontece com Bolsonaro, que lida com mais de 100 pedidos de impeachment e provoca ruídos. Ele não vê disposição para reformas, como a administrativa, de serem aprovadas. E se forem, ele teme que sejam desvirtuadas no Congresso, como se viu na MP da Eletrobras, em que acabou virando uma MP para incentivar usinas termelétricas.

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