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Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

Covid, inflação e queda do petróleo: o dia de temor nas bolsas de valores

VEJA Mercado: disseminação de variante Delta e medida para conter os preços do petróleo impactam negativamente no mercado financeiro

Por Felipe Mendes Atualizado em 19 jul 2021, 18h11 - Publicado em 19 jul 2021, 17h57

Veja Mercado Fechamento, 19 de julho.

Os investidores tiveram uma segunda-feira agitada. Com o acordo firmado no último domingo entre os integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+), que autoriza os membros do cartel a aumentarem a produção da commodity em 400.000 barris por dia a cada mês a partir de agosto, o preço desabou. O petróleo do tipo Brent, referência utilizada pela Petrobras, recuou mais de 6% no pregão. Esse fator aliado ao aumento de casos por Covid-19 mundo afora devido à disseminação da variante Delta impactaram negativamente as bolsas de valores. No Brasil, o Ibovespa recuou 1,24% e voltou a figurar abaixo dos 125.000 pontos. Já nos Estados Unidos, a Nasdaq caiu 1,06%, enquanto a S&P 500 declinou 1,59%. A perda do índice Dow Jones, por sua vez, foi de 2,09%.

O dia também foi marcado por uma disparada do dólar. Depois de pregões abaixo dos 5,20 reais, a moeda americana disparou 2,64%, e terminou o dia cotada a 5,251 reais. Para Mauriciano Cavalcante, diretor de operações de câmbio da corretora Ourominas, o fenômeno leva em consideração uma valorização do dólar frente às moedas de países emergentes, mas também um dilema político à mesa do presidente Jair Bolsonaro. “Quando saiu do hospital, ontem, o Bolsonaro sinalizou que irá vetar uma boa parte do fundo partidário. Se ele fizer isso, pode criar conflito com os aliados no Congresso”, diz ele. “Outros fatores que influenciaram o desempenho da moeda foram as economias chinesa e europeia crescendo abaixo do que era esperado.”

Segundo o economista Pablo Spyer, sócio da XP Inc, os investidores estão correndo para investimentos seguros neste momento de incerteza. Isso tende a favorecer o dólar. “Todos os investidores estão mais ariscos e vão correr para o dólar. Está todo mundo correndo para os ativos de maior segurança”, diz ele. “E esse acordo do petróleo derrubou a Petrobras (-1,65%). Daí deriva a queda do Ibovespa”. Ele alerta, ainda, que a grande maioria das empresas de capital aberto dos Estados Unidos estão demonstrando preocupação com a inflação no país.

No campo corporativo, as ações das Americanas S.A, resultante da fusão com os papéis da varejista digital B2W, estrearam na B3 com uma jornada esquecível. As ações preferenciais da holding das Lojas Americanas, representada pelo ticker LAME4, recuaram 7,73% e tiveram a maior perda do dia. Já os papéis do ticker AMER3, que representa a nova empresa, recuaram 7,11%. A maior alta do dia foi da companhia logística Rumo, com avanço de 2%, seguida da Locaweb, que avançou 1,38% no pregão.

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