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Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

Com endosso de Bolsonaro, vendas de vermífugo crescem 473% em 2020

Ivermectina, remédio para controle de piolhos, obteve ganho expressivo nas vendas em 2020; só em dezembro o avanço foi de 166,7%

Por Felipe Mendes Atualizado em 8 jan 2021, 17h31 - Publicado em 8 jan 2021, 16h52

Medíocre como cabo eleitoral nas disputas municipais em 2020, o presidente Jair Bolsonaro pode se gabar de ser bem-sucedido em outro campo de atuação. Como garoto-propaganda de medicamentos para o combate ao novo coronavírus, ainda que tais produtos não tenham eficácia contra a enfermidade, o capitão reformado obtém números invejáveis. Um levantamento realizado pela Linx a pedido desta coluna mostra que a venda da ivermectina, antiparasitário usado para o controle de piolhos, disparou 473,4% em 2020. Os números levam em consideração os medicamentos que contêm a substância ivermectina como principal ativo: Ivermectina, Ivermec, Iverneo, Leverctin, Revectina e Uciose. A base de dados é da Linx com análise do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Não foram poucas as vezes que Bolsonaro decidiu contrariar infectologistas ao incentivar o uso precoce de medicamentos que não têm eficácia comprovada para Covid-19. A hidroxicloroquina, a ivermectina e a azitromicina chegaram, inclusive, a fazer parte de um “kit Covid-19” a ser distribuído pelo Sistema Único de Saúde com respaldo do Ministério da Saúde. Na terça-feira 5, o presidente chegou a publicar em uma rede social que o uso em massa do vermífugo salvou vidas em países africanos. Com tamanha moral por parte de Bolsonaro, a ivermectina e a cloroquina, que é usada para o combate à malária, viraram uma espécie de remédios milagreiros.

Segundo os números levantados a pedido de VEJA, em março, no início da pandemia, o número de vendas de ivermectina era irrisório, representando cerca de 0,03% da quantidade de medicamentos no país. De abril a julho, no entanto, o crescimento foi estrondoso: em abril, o salto nas vendas do medicamento foi de 156% em relação ao mês anterior. Em junho, o avanço foi de 235% em relação a maio. Os números só arrefeceram quando a Anvisa anunciou a restrição das vendas em agosto, provocando uma queda de 78,5% na passagem mensal. Porém, em setembro, com o relaxamento da medida restritiva, as vendas dispararam 76,6% de um mês para o outro. Depois de um retrocesso em outubro, com o aparente controle da disseminação do vírus no país, as vendas voltaram a subir nos últimos meses do ano. Em novembro, a alta frente a outubro foi de 22,3%, ao passo que em dezembro houve disparo de 166,7%.

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