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Banqueiros alertam Guedes sobre os R$ 600 bi de dívida que vencem em 2021

Custo da dívida pode subir ano que vem com caixa menor dos bancos

Por Machado da Costa 22 out 2020, 10h34

Ao menos dois importantes bancos levaram ao secretário do Tesouro, Bruno Funchal e ao ministro da Economia, Paulo Guedes, a preocupação deles com a sustentabilidade de curto prazo da dívida brasileira. Eles alertaram para a ausência de recursos nos bancos para financiar os mais de 600 bilhões de reais que o governo precisará rolar de dívida nos próximos 12 meses.

O montante, apesar de colossal, não seria um problema em um ano normal. Mas como o Tesouro colocou no mercado, recentemente, muita dívida com vencimento curto para conseguir se financiar durante a pandemia, muitos banqueiros acabaram queimando caixa para aproveitar o momento de títulos curtos e com bom retorno. Ano que vem, eles alertam, não terão tanto caixa assim para financiar o governo na taxa que ele quiser. Ou seja, ficará bem mais caro. Atualmente o governo já tem dificuldade de colocar na rua títulos com menos do que 6% de juros anuais — mesmo com a Selic valendo 2% ao ano. Esses banqueiros disseram que isso pode disparar ano que vem, para 8% ou 10%.

A alternativa levada para Funchal e Guedes é que o governo se financie no exterior. Sim, dívida externa — apesar da conotação negativa e os pesadelos que isso possa gerar em economistas mais antigos. A lógica dos banqueiros é que o real se valorizará no ano que vem, o montante não precisaria ultrapassar 50 bilhões de dólares para rolar mais de 40% desse dívida vincenda, e mostraria para o mercado que o governo tem poder de fogo para manter o custo da dívida baixo. A pegadinha: isso deveria estar sendo feito agora, porque no próximo ano, todos os emergentes vão recorrer a bancos estrangeiros para se financiar e o Brasil, com sua nota de crédito pífia, pode ficar sem.

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