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Por que o futebol feminino deve ser um local sem preconceitos

A modalidade já enfrenta obstáculos que vêm de décadas – e sempre dificultaram o acesso de diversas mulheres à prática do esporte

Por Raffaela Carolina 10 jun 2021, 13h13

O crescimento do futebol feminino no Brasil nos últimos anos – ajudado pela entrada de clubes de tradição no masculino – trouxe novos torcedores, seja pelo fato de poder também ver o seu time sendo representado na modalidade ou simplesmente para conhecer mais sobre o esporte.

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Contudo, diversos ataques de ódio, propagados por torcedores e até por comentaristas, narradores e jornalistas que começaram a acompanhar mais de perto a modalidade acabam agredindo as protagonistas do espetáculo – às vezes isso vem de algumas jogadoras, que acabam cometendo um deslize e expressando intolerância religiosa e homofobia.

Os comportamentos inadequados podem aparecer até de forma inesperada. Em fevereiro deste ano, o narrador de uma partida do Brasileirão feminino sub-18 elogiou uma jogadora de 16 anos pela sua beleza, e não seu futebol. Além da questão da sexualização de uma menor de idade, quem acompanha o futebol feminino sabe que não é a beleza da atleta que importa, e sim para o futebol que ela apresenta nos gramados.

O futebol é um reflexo da nossa sociedade. E o esporte evolui de acordo com esta sociedade. Sobretudo quando conta com a presença de torcedores mais conscientes e jogadoras que não tem medo de se posicionar em temas considerados ainda hoje como tabus – pela própria imprensa inclusive –, como pautas da comunidade LGBTQI+.

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Se você começou a acompanhar o futebol há pouco tempo e acredita que protestos nas redes sociais são “mimimi”, tenho um conselho: apenas pare com esse seu preconceito que nada acrescenta na modalidade. O que você considera “mimimi” é algo que o João da última edição do Big Brother Brasil explicou bem. É a dor do outro. Antes de falar algo, simplesmente pense: isso pode ser ruim para mim? Isso pode me ofender ou ofender alguém que eu amo?

Evite comparações desnecessárias entre jogadores e jogadoras, isso não agrega em nada para o desempenho dentro de campo. Apesar de ser o mesmo esporte, o futebol feminino enfrentou 40 anos de proibição e, ainda em 2021, tem mulheres, garotas e jogadoras que encontram dificuldades de jogar ou não encontram o espaço adequado para a prática do esporte. Muitas profissionais ainda não tem a estrutura mínima para atuar.

Além dessa luta de espaços que ainda temos de ter até hoje, em um mundo que se considera evoluído, encontramos problemas inclusive dentro do esporte, com algumas jogadoras que com o seu modo de pensar acabam ferindo o próximo em sua essência. No dia 9 de maio, a atacante Chú Santos comentou em suas redes sociais palavras de cunho homofóbico e de intolerância religiosa contra o recém-falecido ator Paulo Gustavo, mais uma das quase 500 mil vítimas de Covid-19 no Brasil.

Já não basta os comentários e os desafios que somos obrigadas a ouvir todos os dias pelo simples fato de ser mulher, enfrentamos dificuldades, preconceitos e a falta de representatividade em alguns espaços que lutamos para ocupar. Vemos cartolas que não dizem que não se deve investir no futebol feminino e que o dinheiro deve ser utilizado com os homens, outros que usam a pandemia como muleta para não realizar competições estaduais, que na maioria das vezes é o único torneio de uma equipe no ano e não dura mais do que um mês.

Sabemos que a paixão pelo futebol move a todos que acompanham o esporte, mas a sua paixão não pode machucar a essência de alguém. Esperamos que o futebol feminino se torne algo plural e democrático, algo que agregue a todos que acompanham a modalidade para que se sintam representados. Afinal, o futebol foi feito pelo povo. E é para o povo.

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