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Opinião: seleção feminina tem estreia de gala e se mostra mais madura

Com algumas mudanças principalmente no meio de campo, Brasil teve dificuldades pontuais, corrigidas a tempo pela técnica Pia Sundhage

Por Raffaela Carolina Atualizado em 22 jul 2021, 11h37 - Publicado em 22 jul 2021, 09h02

Depois de mais de dois anos da última competição oficial, a seleção brasileira retornou a campo na última quarta-feira, 21, pela primeira rodada da fase de grupos da Olimpíada de Tóquio, e teve uma atuação de gala na goleada por 5 a 0 sobre a China. Foram vários os destaques: as mudanças da técnica Pia Sundhage, a leveza de Marta, o bom desempenho de Duda, que esteve entre as 11 titulares sem ao menos ter iniciado nos jogos preparatórios e surpreendeu, assim como Bia Zaneratto, que atuou com intensidade e grande poder de finalização e participou diretamente de três gols.

Toda essa precisão, organização e amadurecimento dentro de campo são resultado do trabalho da técnica sueca durante a preparação para os Jogos Olímpicos, em Portland, nos Estados Unidos, onde a equipe permaneceu por aproximadamente um mês. Sabemos de toda a tradição da seleção chinesa, que vive um período de transição, mas hoje vimos um time mais cauteloso no ataque o ataque e exposto na defesa, o que facilitou a goleada brasileira.

Se o ataque funcionou da forma esperada, a defesa brasileira ainda encontra-se frágil, principalmente pelo fato de estar com uma defensora improvisada na lateral, o principal foco as falhas do time. Estes erros podem ocorrer em todas as posições, é algo natural em uma seleção que se adapta à intensidade de Pia Sundhage. A treinador sueca prefere contar com jogadoras mais versáteis e polivalentes, principalmente na defesa, com o objetivo de começar a jogada ou de avançar e infiltrar pela equipe adversária. Contudo, em alguns momentos, a defesa fica exposta, o que faz com que a equipe adversária ofereça perigo.

A leveza de Marta em campo

Marta comemora o seu segundo gol na partida contra a China -
Marta comemora o seu segundo gol na partida contra a China – Kohei Chibagara/AFP

Depois de jogos com um ritmo abaixo do nível que sabemos que Marta pode oferecer na seleção, hoje a camisa 10 teve uma atuação brilhante, ajudando tanto na criação de jogadas e também fazendo dois gols na partida, sendo uma das melhores em campo. Com isso,a Rainha quebrou um recorde: chegou a quinta olimpíada a marcar gols e chegou aos 12 gols, se tornando a vice-artilheira da história da competição, dois atrás de Cristiane.

Será que a camisa 10 amarelinha vai conseguir ganhar a sua terceira medalha, sabendo que a seleção terá adversários com nível igual ou superior ao Brasil? Pelo que vimos do jogo de hoje, a Marta jogou tudo o que sabemos que pode render e todo o desempenho que apresenta. Mesmo que não esteja com o seu melhor futebol, é uma jogadora técnica e capaz de ser decisiva.

A ofensividade de Bia Zaneratto

Jogando os 90 minutos, a atacante Bia Zaneratto foi essencial para a goleada com duas assistências e um gol ao final da partida. A jogadora que estava neste início de temporada no Palmeiras, foi uma das melhores jogadoras e foi bem acima da média, sendo a líder de assistências e a artilheira da competição. O que faltava à Imperatriz durante o período de amistosos, que era a finalização  e o último passe, foi o que a fez ser uma das melhores em campo.

Bia Zaneratto comemora o quinto gol do Brasil no jogo -
Bia Zaneratto comemora o quinto gol do Brasil no jogo – Sam Robles/CBF

A surpresa do jogo: Duda

A meio-campista recebeu a confiança de Pia desde o final de 2019, nos amistosos contra a seleção mexicana. O que se esperava era que a jogadora começasse no banco de reservas, mas iniciou entre as 11 iniciais e fez uma boa partida, tanto defensivamente, ao ajudar na marcação, e também na criação de jogadas e arrancadas para o ataque. Ou seja, ainda precisa melhorar a questão de intensidade durante o jogo, mas, assim como a seleção coletivamente, já apresenta grandes mudanças na organização e ataque.

O que podemos concluir

A seleção brasileira já apresenta melhoras principalmente ofensivas e isso se refletiu no jogo contra a China, mas ainda falta a intensidade e a melhora no setor defensivo, o que pode fazer com que a seleção sofra mais do que o necessário para a marcação do adversário.

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