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Paulo Cezar Caju Por Paulo Cezar Caju O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum

‘Vai pra casa , PC’

Um passeio pelo Rio ensolarado em meio à pandemia

Por Paulo Cezar Caju - 11 Maio 2020, 15h01

Em um dia de sol desses é impossível ficar em casa. Então, me arrumei, peguei meu Fiat Spider na garagem, abaixei a capota e fui, devagarzinho, sem máscara, sentindo a saudável brisa de Ipanema e Leblon. No caminho, reencontrei a turma do Grêmio, time que jogava na praia, entre as ruas Jerônimo Monteiro e Aristides Espinola, no início da Niemeyer. Acenei para Roma, Ronaldo Luiz, Lauro, Rica, Manoel, Gilo, Fred Foca, Reinaldo, Iata Anderson, Batata e meu irmão Fred. Tomavam uma cervejinha gelada, me chamaram, mas segui em frente. Parei quando vi uma aglomeração. Berraram meu nome. “Vem PC, só falta você!”. Era o time do Columbia que tinha armado um amistoso com estrelas do futebol. Estacionei e estavam lá Jairzinho, Zico, Adílio, Júnior, Gerson Canhotinha de Ouro, entre outros.

Pelo Columbia, aliás, tive a oportunidade também de jogar ao lado de Reinaldo, Juarez, Ivan, Mota, Agnaldo, Edu, Eduzinho e Léo. Uma equipe da PLACAR estava lá para cobrir. Fiquei só um pouquinho porque tinha combinado encontrar Evandro Mesquita, no Píer, altura da Joana Angélica. De longe, o avistei. Estava com Malibu, Otávio, Paulo Proença e Paulinho Suprimento, com sua Kombi. Essa turma é da pesada! Já cheguei gargalhando porque não dá para ficar perto do Evandro sem rir. Na areia, perto de nós, estavam Caetano Veloso, Gilberto Gil e Fernando Gabeira, os três com as tanguinhas que estão bombando nesse verão. Como é bom encontrar amigos, rir, falar bobagem. Gugu e Joninha, do Lagoa, passaram por ali e me chamaram para uma dupla de chute a gol. Não tem como negar! Me despedi e fomos caminhando pela areia até encontrar o pessoal. Feliz demais por reencontrar Nelinho, que chegou de Minas. Mas o pessoal do vôlei também estava, Zezinho, Aluísio, Bernard…claro que escolhi Nelinho, mas morri de rir porque ele, sem conseguir chutar direito da areia, optou por chutar do calçadão, Kkkk, não me aguentei!!! Mas pior que saiu cada petardo de endoidar o goleiro Paulo Sergio. Ganhamos, claro!

Depois, demos um mergulho e ficamos sentados na areia. Foram chegando Búfalo Gil, Pintinho…agradeci a Deus por tudo, pela família, pelos títulos, pela amizade, pelo Rio de Janeiro, por estar com saúde. Sol se pondo, os surfistas aplaudindo, saí de fininho para dar um pulo na Montenegro. Para mim, sempre será Montenegro. Pedi um guaraná e fiquei olhando o movimento. Vi Doval, meu grande parceiro das noitadas, chegar de moto com Marinho Chagas. Dois grandes amigos! Pedi a conta, entrei no meu Fiat e voltei para a casa. Ligo a tevê, vejo que o número de mortos pelo coronavírus vem aumentando e fico inquieto. Preciso respirar. Pego minha máscara e fico parado na portaria do prédio olhando as ruas vazias. Vejo uma cidade, vazia, sem brilho. Saio para caminhar no quarteirão. Meu Fiat Spider não existe mais, Doval e Marinho Chagas nos deixaram bem antes da existência desse vírus. Não encontro ninguém na caminhada, nem os amigos do Columbia, do Grêmio, da dupla de praia, ouço apenas uma voz vinda não sei de onde me aconselhando….”vai para a casa, PC”.

 

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