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Paulo Cezar Caju Por Paulo Cezar Caju O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum

Treinadores teóricos? Prefiro os ex-jogadores que sabem lapidar talentos

Preparação física e conhecimento tático são importantes, mas só quem chutou bola pode corrigir a falta de fundamentos primários dessa garotada

Por Paulo Cezar Caju Atualizado em 8 dez 2020, 11h07 - Publicado em 7 dez 2020, 19h03

Semana passada, o técnico português José Mourinho disse orgulhar-se de ter quebrado a barreira de que apenas ex-jogadores poderiam ser bons treinadores. Hoje, segundo ele, qualquer jovem que tenha conhecimento científico, mesmo sem carreira no futebol, pode vencer na profissão. Disso, não tenho a menor dúvida, afinal esse mercado está repleto de professores de Educação Física e de gente que nunca chutou uma bola. Mas também não tenho dúvida que desde que essa turma do conhecimento científico assumiu o poder o nível do futebol despencou, a nível mundial, inclusive.

Mas essa briga é antiga e, em 70, Parreira já começava a surgir no cenário futebolístico. Já cansei de dizer que acho a preparação física importante para o atleta. Se eu não tivesse condicionamento não conseguiria dar dribles longos, me desmarcar, fugir das pancadas. Mas a conversa é outra. Preparador ensina o jogador a correr, mas nunca ensinará a chutar, driblar, cabecear. E o que vejo hoje, rodada após rodada, é o desconhecimento total de fundamentos primários nessa garotada. Por isso, louvo a paciência que Fernando Diniz está tendo com seu time, inclusive com os que não são mais garotos e que só agora estão aprendendo a tabelar, se deslocar, essas coisas. É um trabalho de formiguinha que levará tempo para ser consertado.

  • Existem comissões técnicas inteiras sem um ex-jogador. Isso é gravíssimo. Muitos jovens talentosos estão perdendo o bonde porque não existem profissionais para lapidá-los. Vejo a torcida crucificando jogadores sem dó nem piedade. E tem que criticar mesmo, afinal o produto tem que ser de qualidade. Não seria importante jogadores, como Roberto Dinamite, Adílio, Andrade, Leandro, Aldair, Mauro Galvão, Geovani, Moreno e sei lá mais quem fazerem oficinas com esses meninos? É importante que eles assistiam vídeos exaustivamente desses jogadores. Muitos estão fora do mercado.

    Mas eles só não podem ser engolidos pelo sistema, como vem acontecendo com os ex-jogadores comentaristas, que só querem saber do último terço do campo. O que vem acontecendo no futebol é mais ou menos como o estudante que chega ao ensino universitário sem saber escrever direito. Base fraca, futuro incerto. Ou resolvam logo, contratem professores de verdade, ou concluirão que no futebol só teoria tem data de validade. Por falar em teoria e prática, a diretoria do Flamengo tem envergonhado os torcedores com essa história da indenização dos meninos que morreram naquele trágico acidente! Apesar do discurso bonito, acabaram de reduzir pela metade o valor da pensão para as famílias.

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