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Paulo Cezar Caju Por Paulo Cezar Caju O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum

Se Saldanha fosse o técnico da seleção, o tri viria mesmo assim?

No ano em que a conquista da Copa do México completa 50 anos, relembrarei curiosidades desse título inesquecível. Mas falemos antes do "João Sem Medo"

Por Paulo Cezar Caju - Atualizado em 4 Maio 2020, 18h54 - Publicado em 4 Maio 2020, 18h50

Com esse vírus rondando nossas vidas tenho ficado em casa boa parte do tempo, mas basta dar uma saidinha para comprar pão e lá vem pergunta. Impressionante com o torcedor é curioso e adora enquetes, desafios e polêmicas. Dessa vez, o caixa da padaria me perguntou se a seleção brasileira seria campeã em 1970 se o treinador fosse o João Saldanha.

Já falei sobre esse tema outras vezes, mas nunca é demais reforçar a importância do “João Sem Medo” para o futebol brasileiro. O Brasil vinha de uma campanha terrível na Copa do Mundo de 1966, sendo desclassificado na primeira fase. Em 68, fui convocado pela primeira vez por Aimoré Moreira. Teve o Oswaldo Brandão, mas a chegada de Saldanha foi fundamental para a recuperação da autoestima dos jogadores.

Ele foi prático, não quis inventar e elegeu as Feras de Saldanha. O time titular tinha apenas craques de Cruzeiro, Santos e Botafogo, os melhores da época. Basta pesquisarem como foi o desempenho da seleção nas Eliminatórias. O time estava voando e Tostão, de centroavante, fez vários gols. Volta e meia ouço falarem que foi Zagallo quem o colocou nessa posição. Não foi.

Zagallo foi fantástico, mas Saldanha também entendia do riscado, era audacioso, envolvente e sabia muito de futebol. Seu time da Copa certamente seria o mesmo das Eliminatórias, com a zaga toda do Santos, Claudio, que foi do Bonsucesso para o Santos, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo. Piazza, Gerson e Pelé, no meio e Jairzinho, Tostão e Edu, na frente. Por que esse time não poderia ser campeão do mundo?

O time reserva era Félix, Zé Maria, Scala, Brito e Everaldo, Clodoaldo, Rivellino e Dirceu Lopes, Paulo Borges, Toninho Guerreiro e eu. ruim? Pelas circunstâncias que todos sabemos Saldanha saiu, Zagallo entrou e fez as alterações que julgava necessárias. Deu certo, fomos campeões e Zagallo, merecidamente, recebeu os louros. Tudo certo desde que Saldanha não seja esquecido.

Dirceu Lopes e Rildo sofrem com esse corte até hoje. Não é para menos, estavam no auge, jogando uma barbaridade. Paulo Borges também estava afiadíssimo. Roberto Miranda veio para a vaga de Toninho Guerreiro. Piazza foi recuado para a zaga e Rivellino entrou no lugar de Edu. Ou seja, Zagallo teve personalidade. Montou um time mais cauteloso, com Everaldo, que não avançava muito, e Rivellino na vaga de Edu, ponta autêntico, altamente ofensivo.

Mas o Brasil conquistou o México, encantou o mundo com seu futebol. Nesse ano, comemoramos 50 anos dessa conquista e, por isso, volta e meia relembrarei casos e curiosidades desse título inesquecível. E entre essas histórias e personagens sempre estarão presentes João Saldanha e suas Feras, as que classificaram o Brasil para a Copa.

Para mim, Paulo Borges, Rildo, Toninho Guerreiro e todos os outros que ficaram pelo caminho são tão campeões quanto eu, Jairzinho, Riva, Pelé e o esquadrão de 70. Em tempo, se tem uma coisa boa nessa quarentena é o descanso dos terríveis chavões dos comentaristas: ligação direta, orelha da bola, leitura de jogo…

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