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Paulo Cezar Caju Por Paulo Cezar Caju O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum

Os exageros sobre Jorge Jesus, o novo ‘Deus do futebol’

É inegável: o português fez um ótimo trabalho no Flamengo. Mas não deixa de ser um técnico mediano, que estava na hora certa e no lugar certo

Por Paulo Cezar Caju - 20 jul 2020, 10h02

É inegável que Jorge Jesus fez um ótimo trabalho no Flamengo e chacoalhou o mercado de treinadores, mas não o suficiente para as mesas-redondas, absolutamente todas, gastarem 80% do tempo na cobertura de sua ida para o Benfica. Elogiei sua postura algumas vezes, mas até a página dois. Jorge Jesus é um treinador mediano e pegou um elenco grande e de qualidade bem superior a maioria de seus rivais. E há uma grande diferença entre inovar e resgatar. O que Jorge Jesus fez foi escalar os jogadores em suas posições de origem e apostar no futebol ofensivo. Um colírio para os olhos do torcedor cansado de assistir shows e mais shows de retranca. Um time bem preparado fisicamente, com bons salários em dia e empolgados com a chegada de um treinador europeu. Jorge Jesus estava na hora certa, no lugar certo.

E que lugar era esse? Na Ásia. Nem ele mesmo deve ter entendido quando foi procurado pelo Flamengo. Mas teve o mérito de fazer Gabigol, Bruno Henrique e Gerson jogarem bola. E não custa lembrar que nenhum dos três deu certo na Europa. O que não dá é para a imprensa brasileira ser pautada pelo futebol português. E será que o Flamengo trará um outro português? Por isso, o Brasil não avança. Será que os portugueses realmente estão revolucionando o futebol? Só faltava essa, termos que aprender com a escola portuguesa!!! Respeito a história de Benfica, Porto, Sporting e todos os outros clubes. Qual representatividade o futebol português tem na Europa? Mas a imprensa transformou Jorge Jesus em um superstar. A carência de ídolos é impressionante. Por que essa imprensa, que só fala o óbvio, não pega o Paulo César Carpegiani e o convida para dar um passeio pela Rua da Carioca? Aposto que muitos torcedores da nova geração não o conheceram e ele foi mais longe do que Jorge Jesus, além de ter jogado muito mais bola.

Sem falar que aquele timaço do Flamengo, da década de 80, era quase todo de crias da base. Mas o pior é imaginar que nos próximos meses ficaremos sabendo tudo sobre o Benfica, suas contratações, demissões, fofocas, tudo por conta de Jorge Jesus, o novo Deus do futebol. Olha que se fizerem uma pesquisa no Brasil sobre o português mais famoso do futebol Jorge Jesus barrará Eusébio e Cristiano Ronaldo. Como costuma dizer o locutor Sílvio Luiz, “pelo amor dos meus filhinhos”, paramos no tempo, idolatramos quem trabalha melhor o marketing pessoal.

Bom, o campeonato paulista vai começar e por lá estão Vanderlei Luxemburgo, Fernando Diniz e Tiago Nunes, três treinadores que elogiei muito em campeonatos passados. Os outros foram Roger Machado, do Bahia, e Sampaoli, do Galo. Que Jorge Jesus seja feliz no Benfica, que o novo técnico da Flamengo siga papando-títulos, e que algum especialista em futebol me aponte alguma revolução ocorrida em nosso futebol, além do melhor preparo físico, nos últimos 50 anos. Eu só vi retrocesso. E que Jesus, o de verdade, me castigue se estiver falado alguma besteira.

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