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Paulo Cezar Caju Por Paulo Cezar Caju O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum

Daniel Alves? A seleção precisa dar uma arejada nessa rodinha de amigos

Convocação de veteranos é danosa e retrata a dificuldade de renovar um grupo desgastado

Por Paulo Cezar Caju 17 Maio 2021, 15h59

A convocação de Daniel Alves para a seleção brasileira pode ter sido considerada justa aos chamados analistas de futebol, mas para mim ela é danosa e retrata com precisão a dificuldade, ou a falta de ousadia, em renovar esse grupo para lá de desgastado. Não vou nem falar em Thiago Silva, Gabriel Jesus, Firmino, Casemiro e Fernandinho, mas da filosofia que vem sendo usada. Essa seria uma oportunidade fantástica de investirmos em outros nomes, dar uma arejada nessa rodinha de amigos. Fico pensando se o Daniel Alves foi chamado novamente pela qualidade de seu futebol ou por pressão dos ‘’parças”.

Se classificar para a Copa do Mundo é a missão mais fácil da vida de um treinador. Mesmo fazendo muita bobagem os adversários são fraquíssimos e nos ajudarão a cumprir essa tarefa. O Lucas Veríssimo, do Benfica, foi a única novidade, um absurdo. É muito pouco. Se insistirmos nessa mesmice continuaremos andando para trás, sendo ridicularizados. Mas, quem levar, PC? Qualquer um que realmente sinta orgulho de vestir a amarelinha porque a verdade verdadeira é que os jogadores que atuam na Europa não fazem mais essa questão. Preferem uma Liga dos Campeões e competições regionais.

  • A falta de ousadia, pressão de empresários e meninos robotizados na base são ingredientes de nossa receita de insucesso. Recebi uma mensagem de Marcelo Carrara que reflete bem isso. O filho dele, de 10 anos, desistiu dos treinamentos por pressão do treinador da escolinha. Vários outros, de sete, também. Nessa idade, a garotada precisa ser totalmente livre, desenvolver suas qualidades, ser feliz. Aplicar fundamentos nessa fase é quase um crime contra o futebol-arte. No mais, quero agradecer a bela mensagem de Marcelo Fernandes, que me enviou a minha foto com Kubala, Puskás e Di Stéfano, um dos momentos maravilhosos de minha carreira.

    O futebol pode ser maravilhoso, temos potencial para isso, mas não funcionamos com rédeas. Nos livrem dessas amarras e entenderão o que digo. Por fim, fico imaginando os geraldinos do antigo Maracanã, com ouvidos colados no radinho de pilha, escutando os comentaristas atuais: “O zagueiro zerou a bola, o ala amaciou, entrou por dentro, saiu por fora, fez a ligação direta e o atacante chapou a cara ou a orelha da bola em direção à bochecha da rede”. Teria cabimento um negócio desse?

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