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Paraná Por VEJA Correspondentes Política, negócios, urbanismo e outros temas e personagens paranaenses. Por Guilherme Voitch, de Curitiba

‘Nunca vi tanto ódio’, diz Lula sobre tiros contra ônibus

Ex-presidente encerrou nesta quarta sua caravana pelo Sul e afirmou ainda que a disputa eleitoral será 'contra a extrema direita'

Por Guilherme Voitch - Atualizado em 29 mar 2018, 00h41 - Publicado em 28 mar 2018, 23h38

No discurso que marcou o encerramento de sua caravana pelo Sul do país, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, na Praça Santos Andrade, centro de Curitiba, os tiros disparados contra sua comitiva. “Eu nunca vi tanto ódio na minha trajetória política. Começaram trancando estrada e jogando ovo e terminaram dando tiro”, disse. Na terça-feira, dois ônibus do comboio do petista foram atingidos por disparos. O ataque aconteceu em Espigão Alto do Iguaçu, Centro-Sul do Paraná.

Na sequência, Lula voltou a investir contra os meios de comunicação. Ele afirmou que o momento político conturbado era fruto do ódio e que a “Rede Globo de televisão é a maior estimuladora de ódio do Brasil”. As falas contra a emissora foram repetidas ao longo de toda a noite por outros políticos, como o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e a ex-presidente Dilma Rousseff.

Disputa eleitoral

Sobre o cenário para 2018, Lula declarou que a disputa eleitoral será “da esquerda contra a extrema direita”. “Vamos disputar contra aquele que eu prefiro nem falar o nome”, disse, em referência ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL).

Falando como candidato à Presidência, Lula, que em tese está impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa, afirmou que o “PSDB não tem candidato e que o MDB não tem candidato. Eles não têm nome para ir para a eleição e estão nervosos porque eu só subo nas pesquisas.” O presidenciável tucano será o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e os emedebistas ainda não definiram se terão candidatura própria ao Planalto.

Lava Jato

A Operação Lava Jato foi outro grande alvo de críticas do ato petista. Condenado em segunda instância no caso do tríplex, Lula disse que está sendo vítima de “mentiras” criadas pela Polícia Federal, pelos procuradores da operação e pelo juiz Sergio Moro. O deputado Paulo Pimenta chegou a declarar que “Moro e os promotores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando Lima ainda iriam sentar no banco dos réus”.

O ato contou com a participação de políticos de outras legendas de esquerda, como os pré-candidatos à Presidência pelo PSOL e pelo PCdoB, Guilherme Boulos e Manuela D’Avila. Ao comentar os disparos contra os ônibus da caravana, Boulos atacou Bolsonaro. “A gente não sabe o nome do fulano que puxou o gatilho mas a responsabilidade é toda desse senhor Jair Bolsonaro, esse bandido e criminoso.”

A Polícia Militar (PM) não forneceu o número de participantes do evento. A menos de uma quadra de onde Lula discursava, integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e de outros grupos protestavam contra o ex-presidente. Dois cordões de isolamento feitos pela PM separavam os grupos rivais. Apesar das hostilidades, não houve confronto.

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