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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Um Alckmin na mão e dois Hucks voando

Geraldo Alckmin não decolou nem vai decolar?

Por Helena Chagas 8 fev 2018, 12h00

Em 1950, Cristiano Machado era o candidato do poderoso PSD a presidência da República, mas foi abandonado na campanha por seus próprios correligionários, que correram para os braços do candidato do PTB, Getúlio Vargas, que acabou ganhando a eleição. Desde então, “cristianizar” passou a ser o verbo da traição política.

Sua mais nova vítima parece ser o governador Geraldo Alckmin, que, segundo comparação feita nesta quarta-feira pelo ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, está em estado de “pré-cristianização”, lembrando Ulysses Guimarães (PMDB) e Aureliano Chaves (PFL) em 1989.

É verdade, a julgar por atos e declarações recentes de boa parte do tucanato e de aliados de outros partidos, sempre se referindo ao governador de SP como um candidato que “não decola”. A última estocada foi a entrevista em que o ex-presidente Fernando Henrique disse que uma hipotética candidatura do apresentador Luciano Huck seria boa para o Brasil. Com amigos como FHC, de fato Geraldo não precisa de inimigos – embora não tenha passado recibo, lembrando a parte da entrevista em que foi elogiado pelo ex-presidente.

Nesse contexto, a pergunta que se faz agora em todos os cantos, e não só no PSDB, é crucial: quando é que fica claro mesmo que um candidato não vai decolar?

Não é fácil dizer. Políticos, jornalistas, marqueteiros e outros especialistas em campanha vivem comparando eleições, talvez numa forma de tentar aplacar nossa permanente angústia de não saber o que vai acontecer.

É simples, por exemplo, decretar que 2018 vai ser muito parecido com 1989, com direita, esquerda e centro pulverizados numa grande quantidade de candidatos. Só que parece que não. Dinheiro curto, sem contribuições empresariais, e a necessidade de dividir os recursos do fundo eleitoral entre as campanhas para presidente, governador e legislativos, tendem a reduzir o número de candidatos presidenciais para permitir a sobrevivência dos demais. É uma situação inédita e imprevisível.

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Já dá para dizer então, antes mesmo da convenção partidária, que Geraldo Alckmin não decolou nem vai decolar? A falta de charme e a sem-gracice do picolé de chuchu não empolgam ninguém. Mas, num quadro em que Lula seja impedido de chegar à urna eletrônica, e não consiga unir as esquerdas, e que nenhum outro candidato da centro direita mansa – não é o caso de Bolsonaro – tenha mais pontos nas pesquisas do que o governador, é possível descartá-lo como inviável?

Ah, mas tem o Huck. Tem? A estratégia do apresentador de manter um pé em cada canoa, desistindo sem desistir cabalmente, e deixando em aberto a possibilidade de se candidatar na última hora, pode ser muito boa para ele. Mas a indefinição é ruim para o campo político que poderia adotá-lo.

Tem sido enorme a pressão sobre o apresentador, todos esperando por essa espécie de salvador da pátria da centro-direita. Mas certezas não há.

Já pensou se os tucanos incineram Alckmin e, na hora H, de Huck, ele não vai? Risco real, sobretudo para quem já mostrou que não é um sujeito de fazer loucuras, que preza a qualidade de vida da família e que, sobretudo, não gosta de se meter em confusão. Pode vazar no momento em que vir sua vida empresarial, artística e pessoal devassada. Não precisa disso.

É por aí que, nos bastidores tucanos, o clima anda tenso. E já tem gente preocupada dizendo que, a esta altura, talvez ainda seja melhor ter um Alckmin na mão do que dois Hucks voando…

Helena Chagas é jornalista desde 1983. Exerceu funções de repórter, colunista e direção em O Globo, Estado de S.Paulo, SBT e TV Brasil. Foi ministra chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (2011-2014). Hoje é consultora de comunicação  

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