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Trump deve perder, mas o trumpismo continuará vivo

Eleição histórica, mas não decisiva

Por Ricardo Noblat Atualizado em 5 nov 2020, 08h33 - Publicado em 5 nov 2020, 08h00

Na noite de 4 de novembro de 2008, minutos depois de Barack Obama ter feito o discurso da vitória, começou nas redes sociais a articulação para eleger um presidente de direita. Para a eleição seguinte não deu – Obama foi reeleito com folga.

Mas deu para a próxima quando o empresário do ramo imobiliário e astro de televisão de nome Donald Trump derrotou a candidata democrata Hillary Clinton, duas vezes primeira-dama dos Estados Unidos e senadora pelo Estado de Nova Iorque.

A primeira eleição de Obama pode ser considerada histórica. Foi o primeiro presidente negro. A de Trump pode ser tachada de eleição improvável, surpreendente. Nem ele acreditava que fosse possível. Entrou na Casa Branca sem saber o que fazer.

Deverá sair por sua culpa. Subestimou a pandemia do coronavírus que já matou mais de 235 mil americanos, e que somente ontem registrou 100 mil novos casos, o que levou as pessoas a anteciparam seus votos e a votarem pelo Correio.

A eleição de Joe Biden não surpreenderá. Foi prevista pelos institutos de pesquisa. O desempenho de Trump foi que surpreendeu, mais vigoroso do que se imaginava. Histórica, esta eleição é pelo número gigante de americanos que votaram.

Discute-se se será uma eleição decisiva para definir novos rumos a serem trilhados pelo país com Biden à frente. Tudo indica que não. Os Estados Unidos continuarão rachados quase ao meio. E seus dois principais partidos sem condições de governar direito.

Biden apresentou-se como o presidente de todos os americanos. É isso o que ele gostaria de ser. Trump, como presidente da parcela dos americanos que se alinha às suas ideias. Trump perdia até esta madrugada. O trumpismo continuará vivo.

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Os Estados Unidos ainda são a maior potência econômica e militar do mundo, mas tal condição está com seus dias contados. A economia chinesa superará a americana até o final deste ano. A China já é a maior potência tecnológica do planeta.

Não importa quantos mísseis os Estados Unidos tenham a mais – os da China seriam suficientes para provocar grandes estragos. O que inviabiliza a guerra atômica é a capacidade de destruição mútua. A paz armada mantém o mundo relativamente em paz.

Não haverá paz interna nos Estados Unidos porque a radicalização ideológica, não só ali, veio para ficar ou para durar muito tempo. A divisão está na essência do sistema bipartidário. Os brancos de raiz não se conformam com a perda de sua supremacia.

A herança de Trump será pesada. Nunca antes na história dos Estados Unidos a democracia foi tão solapada. Trump contribuiu para corroer seus dois principais pilares: a confiança e a verdade. Sabotou um dos valores fundadores do país.

Democratas e republicanos não conseguem se mover para além de suas caixas. Por mais experiente, afável, experiente e habilidoso que possa ser, Biden terá dificuldades para governar com um Senado e uma Suprema Corte sob controle dos adversários.

Obama foi melhor presidente fora do que dentro. Seu primeiro mandato foi melhor do que o segundo porque os republicanos barraram todas as suas iniciativas. Clinton, que o antecedeu, emporcalhou o vestido da estagiária Monica Lewinsky.

Biden será o presidente americano mais velho a assumir o cargo. Pela idade, natural que tenha uma saúde frágil. Seu substituto é uma mulher, negra, senadora brilhante. Chegou a Washington há apenas 3 anos. É uma estreante nas altas rodas do poder.

Deus salve a América!

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