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Sinal amarelo

Populismo autoritário

Por Gustavo Krause Atualizado em 30 jul 2020, 19h26 - Publicado em 15 set 2019, 11h00

A cor não revela preferência estética ou partidária. Serve como atenção ou advertência diante de um risco potencial. Faz sentido afirmar que a cor amarela piscou em relação à democracia brasileira?

Na pesquisa da Latinobarômetro de 2018, o apoio à democracia cai a 34%, o menor, ao lado de Honduras, Guatemala e El Salvador, pesquisa quando olhada, por inteiro, revela sintomas da fraqueza dos regimes democráticos. O Instituto chama de “diabetes democrático”: mata aos poucos.

A propósito, estes sintomas não se limitam a regiões ou países. É mais abrangente. “A desilusão do cidadão com a política é coisa antiga; hoje em dia ele está mais inquieto, raivoso e até desdenhoso. Faz tempo que os sistemas partidários parecem paralisados; hoje o populismo autoritário cresce no mundo todo, da América à Europa e da Ásia à Austrália”, constata Yascha Mounck no livro “O povo contra a democracia”.

O mencionado autor identifica, entre os opositores do populismo, três pecados capitais; (1) subestimam o adversário, confundindo astúcia com bravata (2) sempre desunidos, até se verem juntos na impotência; (3) concentram-se na crítica demolidora dos preconceitos, conflitos e mentiras em vez de convencer a sociedade de que a Agenda Brasil é possível.

No caso brasileiro, parcela considerável da população acredita que as instituições vêm cumprindo o seu papel, assegurando um debate público aberto, livre e uma sociedade ativa e vigilante. O que, felizmente, é verdade, mas é preciso enxergar mais longe do que o exercício da crítica consistente.

Sete meses de governo. Não houve uma semana que passasse em branco sem que o Presidente com palavras e atos de gestão exibisse o perfil ideológico do populismo autoritário. Comandou e tocou fogo na agenda conflituosa; escolheu os inimigos; reafirmou uma agenda regressiva, reacionária (em respeito ao autêntico pensamento conservador); reiterou seguidamente “quem manda sou eu”.

Estas e outras bizarrices (a exemplo das ameaçadoras declarações de Carlos Bolsonaro) distraem o respeitável público em relação aos avanços efetivamente autocráticos que recaem sobre quem reza por inflexível cartilha ideológica.

Dois fatos merecem especial atenção: a preferência presidencial por ministro do Supremo “terrivelmente evangélico”; a escolha do Procurador-Geral da República, precedida de conversas reservadas, que sugere “afinidades eletivas”.

“Afinidades” que, compreendidas como “parentesco interior”, “conformidade intelectual ou existencial”, são muito úteis numa equipe de governo e absolutamente impróprias para instituições que controlam o Poder Executivo.

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