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Simone Tebet: braço e voz de Moro ressonante no Congresso

Ela já havia demonstrado o valor de sua presença e ação no Senado da República

Por Vitor Hugo Soares - Atualizado em 14 dez 2019, 13h00 - Publicado em 14 dez 2019, 12h00

Ficou patente, dia 10, em Brasília, e confirmado no dia seguinte, em segunda e terminativa votação: a senadora Simone Tebet (PMDB-MS) emerge, neste quase fim de 2019, na destacada condição de personalidade das mais influentes e relevantes no Parlamento do país, ao conseguir, por 22 votos a um, em apenas 27 minutos, a aprovação – pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ do Senado – do Projeto de Lei para permitir a prisão após condenação em segunda instância, através de via mais direta e veloz que a PEC que tramita na Câmara à passos de tartaruga. Defensora do combate implacável à corruptos e corruptores, simbolizado pela Lava Jato, aliada da primeira hora, a senadora é voz ressonante e braço forte, no Congresso, na defesa das me didas an ticrime cobradas “com urgência” pelo ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro.

Ela já havia demonstrado o valor de sua presença e ação no Senado da República, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e depois ao contribuir decisivamente para demolir, no começo da atual legislatura, o reinado do todo poderoso de seu partido e do Poder Legislativo, Renan Calheiros. Agora, ela encara os maiorais da vez no Congresso: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o da Câmara, Rodrigo Maia. Que mulher – e que parlamentar – se revela, agora, ao apagar das luzes do ano na oscilante política nacional!

Exercer a política e o poder em plenitude e com resultados considerados positivos pela sociedade “não é coisa besta”, no dizer dos ribeirinhos do Rio São Francisco. Cobra extrema capacidade de fazer escolhas de parceiros de gestão e aliados políticos. Talvez esteja neste “feeling” de suas escolhas eletivas, uma das explicações mais razoáveis para o fato do atual ministro da Justiça e Segurança se destacar na condição de político mais bem avaliado no País, em todas as pesquisas de opinião de diferentes institutos. Neste caso da presidente da CCJ, por exemplo, o ex-juiz condutor da Lava Jato não poderia ter feito escolha mais acertada e sob medida para a conjuntura.

Cabe avivar a memória, para contextualizar os fatos, fundamental no exercício da arte de pensar e fazer jornalismo: Simone Nassar Tebet é a primogênita do casal Ramez (ex-governador de Mato Grosso do Sul e destacado líder político) e de Fairte, descendente libanesa. A senadora viveu típica infância das crianças sul-mato-grossenses, ”cercada de natureza, subindo em árvores e na companhia de uma grande família de primos e avós”, diz um de seus perfis. Formada em Direito pela UFRJ, especialista em Ciência do Direito pela Escola Superior de Magistratura e mestre em Direito do Estado, pela PUC-SP. Foi deputada na Assembléia de seu estado; depois eleita prefeita de Três Lagoas, sua cidade natal. Agora no Senado, comanda a referencial CCJ, onde brilhou com intensidade, esta semana, ao desafiar os pared& otilde;e s de Maia e Alcolumbre, e conseguir recolocar na ordem do dia do debate nacional, um dos temas mais cruciais e polêmicos da atual agenda política, jurídica e parlamentar do País: a prisão em segunda instância, no bojo do processo de combate implacável ao crime organizado e a corrupção em todas as esferas. Que mulher e que parlamentar! Simone Tebet termina 2019 mais que qualificada para ser a primeira a conquistar, em breve, por justiça e mérito, o posto de presidente do Senado da República. Isso é um palpite. A conferir.

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Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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