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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Sensação Térmica

Política e economia tem a capacidade de gerar "sensações térmicas” que não representam, necessariamente, a realidade da temperatura política nem econômica.

Por Murillo de Aragão 8 fev 2018, 15h00

Caminhando pelas ruas de Nova York, a temperatura indica que está 1º grau. Mas o frio é muito maior. Pois o que sentimos é a temperatura provocada pela sensação térmica.

Durante anos tenho associado o fenômeno à análise política. Em especial, no que se refere ao noticiário e, também, à economia.

Política e economia tem a capacidade de gerar “sensações térmicas” que não representam, necessariamente, a realidade da temperatura política nem econômica.

O noticiário, quando não imparcial e preciso, tenta causar “sensações” negativas ou positivas. A economia também projeta sensações térmicas que podem ser diferentes da realidade.

Quando a sensação econômica é boa ninguém liga muito que os fundamentos não sejam os mais sólidos. Outras vezes, os fundamentos econômicos melhoram mas a sensação não acompanha a realidade.

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De certa forma, a boa situação econômica do governo Barack Obama não conseguiu alavancar a candidatura de Hillary Clinton. No caso norte-americano, a mistura das narrativas econômica e política travou a candidatura governista.

No Brasil, em 2014, vivemos outra situação. A economia naufragava mas a sensação térmica não era tão ruim a ponto de inviabilizar a reeleição de Dilma Rousseff. O governo dizia que ia tudo bem. O candidato de oposição, Aécio Neves, dizia que a tragédia se aproximava. No final das contas, Aécio tinha razão. Até mesmo pelo simples fato de que os economistas dele eram bem melhores do que os do outro lado.

Em anos eleitorais, a sensação térmica projetada pela economia é fator vital para as chances dos candidatos. Uma sensação de melhora da economia pode ter efeito decisivo nas chances de um candidato da esfera governista.

Foi o que aconteceu com o Plano Real. Mais do que o sucesso na estabilização, a sensação de controle dos preços trouxe bem estar e confiança. O ambiente positivo impulsionou a candidatura de FHC.

Em 2018, a economia poderá eleger um candidato governista? É difícil responder já que a sensação térmica ainda não é tão evidentemente boa. No entanto, esta semana a taxa de juros caiu para 6,75%. A menor de nossa história do Comitê de Política Monetária do Banco Central. Os reflexos da sequência de boas novas podem colocar a economia como vetor decisivo para o eleitorado em outubro e causar surpresas.

Murillo de Aragão é cientista político 

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